O Carisma da interpretação das línguas

1. Introdução

Ocorre muitas vezes numa assembléia carismática reunida, a oração ou o canto em línguas, numa harmoniosa alegria pela presença de Deus naquele lugar. Durante a oração ou canto em línguas ou no silêncio que se segue, uma voz destaca-se das demais. Outras vozes se calam porque sentem que o Espírito está agindo, dando uma profecia em línguas (falada, orada ou cantada). Após a profecia em línguas, faz-se silêncio para a escuta da interpretação.

A interpretação pode vir pela mesma pessoa ou por outra, de forma direta, como uma palavra de profecia. Pode ocorrer também a interpretação indireta, por meio de visualização, recordação de versículos bíblicos ou fatos, entre outras formas.

Da mesma maneira que na profecia, o dom da interpretação das línguas pode ocorrer durante o “ciclo carismático”: louvor – silêncio – profecia em línguas e interpretação – louvor a Deus.

2. Conceito
O carisma da interpretação das línguas é a faculdade de perceber o sentido da oração ou da profecia em línguas. Não se confunde com tradução (ou versão). Nesta, o tradutor entende cada palavra.

É por isso que ele, utilizando palavras de um dos idiomas conhecidos, reescreve o texto em outra língua qualquer. A tradução é a substituição de palavras, termos ou períodos de uma língua pelos de outra.

O dom da interpretação das línguas é um impulso, através de uma unção espiritual, por meio do qual a pessoa capta o sentido da mensagem e comunica-a, para torná-la compreensível aos membros da comunidade. É, portanto, uma profecia motivada e antecedida pelo dom das línguas:

Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito. Ora, desejo que todos faleis em línguas, muito mais desejo que profetizeis. Maior é quem profetiza do que quem fala em línguas, a não ser que este as interprete, para que a assembléia receba edificação. Quem fala em línguas, peça na oração o dom de interpretar. (1 Cor 14, 2.5.13).

Tanto “o falar” como “o orar” e “o cantar” em línguas só se tornam mensagem profética quando houver interpretação.

3. O exercício da interpretação das línguas

O exercício do dom de interpretação das línguas segue os mesmos princípios que os do dom de profecia. De forma pessoal ou comunitária , a interpretação ocorre após a emissão de uma mensagem em línguas.

A mensagem em línguas pode ter duração diferente, podendo ser longa ou breve; contudo, a interpretação deve ser concisa, anotando com clareza a mensagem do Senhor. Quem recebe o dom da interpretação percebe que as palavras lhe vêm à mente de forma abundante, e deve dizer o que o Senhor lhe inspira.

Assim como há uma unção para profetizar, uma mensagem em línguas também é precedida por uma unção. O intérprete recebe um impulso interior para a interpretação. Aliás, a unção do Espírito caracteriza o exercício dos dons.

Por que Deus utiliza o dom das línguas para comunicar sua mensagem quando pode fazê-lo “diretamente” através da profecia? Dom João Evangelista Martins Terra procura responder:

Falar em línguas numa assembléia cultual cria uma atmosfera de audição interior e uma expectação atenta da palavra do Senhor. Esse dom alerta os que profetizam no grupo, a fim

de estarem mais preparados para receber uma inspiração sobre o que o Senhor quer comunicar ao grupo, e coloca também o grupo inteiro alerta para escutar o que se vai dizer. Essa interpretação não é uma tradução, mas um carisma diferente que não acontece na oração particular, mas só quando o Espírito suscita alguém a falar em línguas na assembléia, enquanto todos os outros guardam silêncio, preparando assim o clima para a intervenção do carisma profético que interpreta exortando, consolando e corrigindo.

Por vezes, acontece que várias pessoas recebem a mesma interpretação da mensagem ouvida. Neste caso, o senso de que a interpretação ouvida é correta é ratificado. Como na profecia, deve-se dizer em voz alta: “eu confirmo!”. Após receber uma ou mais mensagens em línguas com interpretação, o procedimento do dirigente da reunião deve ser – como após a profecia - deixar algum tempo para o louvor e resposta ao Senhor, de acordo com o conteúdo da mensagem. E quando o Senhor fala, quer por meio da interpretação das línguas, quer por profecias, sua palavra traz sempre frutos poderosos sobre todos.

Uma vez interpretada, a manifestação das línguas tem todas as utilidades da profecia, a saber: edificar, exortar, consolar (cf. 1 Cor 14, 3).

3.1. O acolhimento da interpretação das línguas

O acolhimento do dom de interpretação também segue os mesmos princípios para o acolhimento da profecia. Sua dinâmica é semelhante à da profecia, que é colocada diretamente no coração do profeta por uma ação do Espírito Santo. A interpretação das línguas é, também, depositada na mente do intérprete.

4. Tipos de interpretação
A distinção dos tipos de interpretação obedece aos parâmetros atribuídos à profecia. A interpretação é verdadeira quando vem do Espírito Santo. Não-interpretação é quando as palavras têm origem na mente humana ( não vêm de Deus ) . A falsa interpretação é influenciada pelo Demônio.

O instrumento que separa um dos outros é o carisma do discernimento dos espíritos. O discernimento da interpretação é tão necessário quanto para a profecia, pois uma vez que é proclamada assume todas as características da profecia, bem como seus requisitos e utilidades (cf. Mt 7,15- 23).

Numa assembléia - pequena ou grande - que esteja em profunda oração, consciente da presença de Deus, dirigida pelo Espírito Santo, haverá outros profetas para julgarem ou confirmarem a profecia em línguas e sua interpretação (cf. 1 Cor 14, 32-33).

Aqui, é importante fazer a diferença entre a oração em línguas e a profecia em línguas; somente esta necessita de interpretação. Quando se ora ou louva em línguas, não há necessidade de interpretação porque a pessoa está se dirigindo a Deus (cf. 1 Cor 14, 2-4).

Quando existe uma unção profética na assembléia e que se expressa em línguas, aí cabe a interpretação em vernáculo e a confirmação de outros membros da assembleia (cf. 1 Cor 14, 13).

5. Conclusão

“Por isso quem fala em línguas, peça na oração o dom de as interpretar” (1Cor 14, 13). O carisma da interpretação leva ao Pai, por Jesus, no poder do Espírito Santo, orientando os filhos de Deus a fazer a Sua vontade. Quanto ao seu exercício, obedece aos mesmos princípios da profecia, com a diferença de haver sempre uma mensagem em línguas antecedente.

Fonte: Revista Renovação - Encarte 46

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