Um menino nos foi dado!

Toda história da salvação tem como o Verbo Encarnado, o Cristo Jesus.


O Antigo Testamento tem como fio condutor o estabelecimento na terra do Reino de Deus, com a vinda, enviado por Deus, do Messias que seria o libertador do povo de Israel, então sujeito ao Império Romano.

"Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher...." (Gal 4,4). Pois bem, o Messias prometido já chegou. Há dois mil anos, na pobreza de um gruta em Belém de Judá, nascia o Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores, o Deus feito homem: Jesus de Nazaré. É Natal.


É nesse contexto que devemos descobrir o sentido do nascimento de Cristo. Veio para "evangelizar os pobres, proclamar a remissão aos presos e a cegos a recuperação da vista, restituir a liberdade aos oprimidos...." (Lc 4, 18).

A celebração do Natal deve nos lembrar a todos o significado do nascimento de Cristo. Nasceu para morrer e por sua morte dar-nos a vida.

Assim, a celebração do Natal deve despertar em nós sentimentos de:

01) Gratidão e reconhecimento do infinito amor de Deus, que se faz homem, padece e morre por amor aos homens, resgatando a todos com sua Paixão e Morte.

02) Comprometimento com Cristo, seu Evangelho e sua doutrina, aplicando a nós, os infinitos méritos de sua Paixão, Morte e Ressurreição, fazendo com que toda sua obra redentora não seja em vão para nós. Lembremo-nos do que diz Santo Agostinho: "Deus que nos criou sozinho , não nos quer salvar sozinho". É necessário a nossa colaboração, que consiste precisamente em tornar presente em nossas vidas, a Vida de Cristo, sua Paixão, Morte e Ressurreição para que possamos dizer com São Paulo: "Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gal 2,20). Por certo, isso é uma tarefa difícil. Exige boa vontade, empenho, e acima de tudo um verdadeiro amor a Cristo e seu Evangelho, sua Igreja, apesar de nossas limitações, franquezas e até pecados. O seguimento de Cristo é exigente e somente o conseguem aqueles que colocam acima de seus interesses pessoais, inclinações, desejos, etc., a fidelidade ao Evangelho. O próprio Jesus não prometeu facilidades aos seus discípulos. Ao contrário, foi categórico: "Se alguém quiser ser meu discípulo, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (MT 16,24).

Infelizmente, nem todos os cristãos celebram o Natal com esses sentimentos. Muitos há tempos reduzem as celebrações natalinas a comemorações meramente sociais: troca de presentes, de cumprimentos, encontros de confraternização. Ás vezes nem mesmo é lembrado o aniversariante que é Jesus, Menino Deus, nascido em Belém.

Desejo a todos, um Santo e Feliz Natal, em que o Menino Jesus seja o centro de todas as celebrações natalinas e que o motivo de sua vinda esteja claramente presente em nossas mentes e finalmente que este Natal seja a oportunidade de ma maior comprometimento de nossa vida com o Evangelho, carta de amor, que Ele nos deixou.
 
D. Luiz Gonzaga Bergonzini

Bispo de Guarulhos

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