O significado das Cinzas na Quaresma

1. O simbolismo das cinzas origina-se no Antigo Testamento:
No livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube que Rei Assuero decretou a condenação à morte os judeus em seu império (cf. Est 4,1).

Jó demonstrou-se arrependido e vestiu-se de saco e cobriu-se de cinzas (cf. Jó 42,6).

Daniel dirigiu a Deus uma oração de súplica associando jejum, silício e cinza (cf. Dn 9,3).

Jonas, depois de pregar em Nínive, proclamou um jejum a todos que se vestiram de saco. O Rei levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (cf. Jn 3,5-6).

Aqui estão algumas passagens que demonstram o simbolismo das cinzas e outras práticas penitenciais que significam arrependimento. As cinzas evocam penitência, dor e morte.


2. Jesus se referiu às cinzas:O Senhor falava dos povos que se recusavam a converter-se e não se arrependiam dos seus pecados: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam se arrependido sob o cilício e as cinzas.” (Mt 11,21).

3. Na Igreja dos primeiros tempos:A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia", Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas".

O historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão.

Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.

Esses exemplos mostram que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas servia para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja.

4. Na Igreja de hoje:
Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se osdomingos) antes da Páscoa da Ressurreição.

Hoje utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe nafronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".

Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação.

Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.

5. Imposição das cinzas no início da Quaresma:
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:

1. Somos criaturas mortais e tomamos consciência de nossa fragilidade, do inevitável fim de nossa existência terrestre e esse rito nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó e ao pó voltará" (Gn 3,19).

2. Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino mudando nossa maneira de ver, julgar e agir: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

6. Outros textos bíblicos sobre cinzas:
· Nm 19; Hb 9,13: como sinal de transitoriedade.
· Gn 18,27; Jó 30,19: como sinal de luto.
· 2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19: como sinal de penitência.
· Dn 9,3; Mt 11,21: como sinal de arrependimento.

Relacione essas passagens com sua vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de Cinzas. Aproveite bem a Quaresma para crescer no amor e na graça de Deus.

Obs: Colaboração do amigo: Pe. Alexandre Cortiz

Fonte: lista música católica

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