Cardeal Scherer: a Igreja não é homofóbica

SÃO PAULO, 30 Jun. 11 / 06:22 pm (ACI)


Em seu artigo mais recente que leva por título “Parada Gay: respeitar e ser respeitado”, divulgado no site da Arquidiocese de São Paulo este 28 de junho, o Cardeal Odilo Pedro Scherer explica que o mesmo direito constitucional que ampara o respeito às manifestações a favor dos homossexuais, “também garante o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas”.

“Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar”, adverte Dom Scherer negando as acusações de que a Igreja seja uma organização homofóbica.


“Eu não queria escrever sobre esse assunto; mas diante das provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a Parada Gay deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas, seus símbolos e convicções de fé ultrajados”, afirma o Cardeal no parágrafo inaugural do seu artigo.

“Ficamos entristecidos quando vemos usados com deboche imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu testemunho de vida”.

Falando sobre São Sebastião, um dos santos ridicularizados pelo desfile homossexual, Dom Odilo afirmou que “foi um mártir dos inícios do Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade homossexual do corajoso mártir”.

“Por que não falar, antes, que ele preferiu heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a dignidade de cristão e filho de Deus?!”, questionou o purpurado.

Criticando o slogan “Nem santo salva do vírus da AIDS”, também usado na parada gay no centro da capital paulista no domingo 26, O cardeal ressaltou que “o que pode salvar mesmo é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e convida todos a fazer. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também os sentimentos religiosos do povo”.

“Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e imagens de sua fé e seus sentimentos e convicções religiosas. Da mesma forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das palavras de Jesus – “amai-vos uns aos outros” – como se ele justificasse, aprovasse e incentivasse qualquer forma de “amor”; o “mandamento novo” foi instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do próprio Jesus”, acrescentou o arcebispo.

Mais adiante, frisando que a Igreja católica refuta a acusação de ser “homofóbica”, o prelado instou a que sejam investigados os fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com grupos religiosos católicos.

Dom Scherer recalcou que “a Igreja Católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apoia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais. E na história da luta contra o vírus HIV, a Igreja foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito”.

“Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja. Mas ela ensina e defende que a melhor forma de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual regrada e digna”, acrescentou.

“Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar”, asseverou o Cardeal.

“Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados, é a contrapartida que se requer”, esclareceu também Dom Odilo em seu último artigo.

“A Igreja Católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do direito de liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com respeito, compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra a natureza; essa não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher”, assegurou.

Dom Odilo afirma ainda que a sexualidade não depende de “opção”, mas é um fato de natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

O arcebispo da capital paulista afirmou que hoje “mais do que nunca”, “todos concordam que o desrespeito às leis da natureza biológica dos seres introduz neles a desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida”.

“Ora, não seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o significado profundo da condição humana não terá consequências? Será sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?”, indagou o Cardeal Scherer.

Finalmente o purpurado afirma que “as ofensas dirigidas não só à Igreja Católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles”.

“E não é isso que a Igreja Católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles; e são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros”, concluiu Dom Odilo.

Para ler o artigo do cardeal arcebispo de São Paulo na íntegra visite o site da arquidiocese paulista em: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/artigos/2011/artigos_110628_parada_gay.htm

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