Parceria entre Vaticano e laboratório incentiva pesquisa com células-tronco adultas

É curioso ver como muitos que criticam a Igreja por sua oposição
à pesquisa com embriões fazem questão de ignorar o incentivo
que  ela dá à pesquisa com células-tronco adultas.
Como bem sabemos, a Igreja Católica se opõe à pesquisa com células-tronco embrionárias, e vive sendo criticada por isso, como se os católicos fossem insensíveis ao sofrimento de quem tem alguma doença que poderia ser curada com algum tratamento que empregasse essas células. Mas, como também sabemos (embora alguns façam questão de ignorar), o Vaticano encoraja as pesquisas com células-tronco adultas, que vêm se mostrando muito mais promissoras que as embrionárias.

Esse encorajamento, no entanto, assume uma forma mais concreta na parceria do Vaticano, por meio do Pontifício Conselho para a Cultura, com o laboratório norte-americano NeoStem, conta Tom Gallagher, do National Catholic Report. Uma fundação mantida pela NeoStem e o projetoScience, Tecnology and the Ontological Quest (Stoq, parceria do Pontifício Conselho para a Cultura com seis universidades) são os responsáveis por colocar em prática a parceria.

Robin Smith, CEO da NeoStem, explica que a parceria tem quatro objetivos: influenciar a opinião pública a respeito de células-tronco, promover o avanço da pesquisa com células-tronco adultas, criar programas de Bioética em universidades e escolas de ensino médio, e treinar membros do clero e da academia em relação aos temas de bioética envolvendo células-tronco. Um dos frutos da parceria é o congresso "Adult Stem Cells: Science and the Future of Man and Culture" , que será realizado em Roma, entre 9 e 11 de novembro deste ano.

Também ontem, Cathy Lynn Grossman, do USA Today, blogou sobre uma sabatina realizada na terça-feira com o geneticista Francis Collins, autor de A linguagem de Deus e diretor dos National Institutes of Health norte-americano. Collins defendeu a pesquisa com células-tronco embrionárias, mas, se a descrição da sabatina no blog é precisa, eu considero que Collins partiu de uma premissa falsa: a de que só existem duas opções, destruir os embriões para fazer pesquisa ou jogá-los no lixo. Além de haver outras alternativas (que custam caro aos laboratórios, como manter os embriões congelados), nenhuma das duas opções (destruir para pesquisa ou mandar pelo ralo) é aceitável, e tampouco resolve o problema de fundo, que é a indústria milionária de criação de embriões por atacado.

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