"Conservar a unidade do espirito pelo vinculo da paz!"

A Renovação Carismática Católica apresenta o tema que direciona e une suas ações em 2014

Grupo de oracao Sao Miguel

Venha ter uma nova experiência com Deus e viver a cultura de Pentecostes. Te esperamos! Todas as quintas-feiras - 20h

Venha rezar conosco e dar um novo sentido para vida!

O Senhor nos chama a este tempo de real mudança de vida

Ministerio Shekinah

“Todos nós, porém, com o rosto descoberto, refletimos a Glória do Senhor!” 2 Cor 3,18

Questoes de Fe

Entenda um pouco mais a fé Católica, explicada de maneira clara e sucinta, em alguns dos temas mais usados nos ataques feitos pelos inimigos da Santa Igreja de Cristo

Archive for Outubro 2011

Vaticano aperta cerco a pregadores de aparicoes

Católicos que afirmarem ter testemunhado "aparições" da Virgem Maria terão que se submeter a um voto de silêncio sobre o fenômeno até que ele seja devidamente investigado pelo Vaticano, segundo um conjunto de novas diretrizes a serem encaminhadas a bispos e dioceses do mundo inteiro.

As supostas aparições passarão a ser examinadas por comitês de dioceses, formados por exorcistas, teólogos e psiquiatras.

A decisão foi divulgada pelo jornal católico online Petrus, dedicado ao pontificado do papa Bento 16.

O diário antecipou alguns detalhes da ordenança papal que atualiza regras determinadas em 1978. Serão investigadas alegações de aparições da Virgem Maria, de santos, de Jesus Cristo e "fenômenos" como estátuas que derramam lágrimas de sangue e o surgimento de chagas no corpo.

A Santa Sé está preocupada com a divulgação de mensagens inconsistentes que poderiam causar desorientação nos fiéis.

Investigação
Pelas novas diretrizes, cada diocese deverá compor o seu próprio grupo de especialistas, e o bispo tem autonomia para interromper ou dar prosseguimento ao caso.

Eles deverão receber as informações sobre a suposta aparição e investigar a vida de quem alega ter entrado em contato com a Virgem Maria.

Para isso, os membros dos comitês, em casos específicos, podem até mesmo solicitar análises de computadores pessoais para rastrear possíveis pesquisas em internet.

O autor da denúncia da hipotética aparição também deverá se submeter a visitas de psiquiatras e psicólogos ateus e católicos. O objetivo é atestar a saúde mental e descartar a ocorrência de delírios ou doenças de caráter histérico.

O Vaticano desconfia ainda que muitos dos "fenômenos" suspeitos "sejam obra de demônios" e, durante o processo de apuração, em última instância, o fiel deverá enfrentar o interrogatório de um ou mais exorcistas.

A Igreja quer também ser a única a poder anunciar o que considera como verdadeiros "milagres".

O voto do silêncio é a condição principal para que uma aparição seja levada a sério. O descumprimento desta deliberação vai esvaziar o provável interesse das autoridades eclesiásticas em estudar o caso.

Aparições

A comprovação de uma aparição pelo Vaticano pode levar tempo.

A última confirmada foi a visão de Nossa Senhora de Laus, na França, que recebeu a bênção da Igreja em maio de 2008, três séculos depois de ter ocorrido.

Segundo estudo do teólogo René Laurentin, ao longo da história da Igreja Católica, a Virgem Maria teria aparecido 2.450 vezes.

Dos 300 processos de investigação abertos no século 20, apenas 12 foram oficialmente reconhecidos como legítimos pelo Vaticano.


***
por Guilherme Aquino
De Milão para a BBC Brasil

Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090114_vaticanoaparicoesml.shtml

Halloween e Cristianismo

É impressionante o poder que a publicidade tem de nos levar a comprar, a pensar e a viver de uma certa maneira. Quando nos damos conta, já estamos enredados num consumismo que não respeita idades, nacionalidades ou crenças religiosas, e que se vale de qualquer meio para atrair a nossa atenção e vender.

Um exemplo é o dia 31 de outubro, véspera do dia de Todos os Santos e antevéspera de Finados, em que se está generalizando o costume de festejar o Halloween. À medida que nos aproximamos desta data, vemos as lojas encherem se de máscaras e roupas de monstros, fantasias de bruxas, abóboras com feições macabras, filmes de terror e outros artigos que pouco têm a ver com as celebrações cristãs do início de novembro.

Alguns elementos de reflexão podem ajudar a valorizar a fé e a não nos deixarmos influenciar por um mercantilismo que pode chegar a prejudicar bastante a nossa clareza de idéias e os nossos costumes.


UM POUCO DE HISTÓRIA
A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando.

a. Origem Pagã

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades.

Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam “o céu e a terra” (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como “médiuns” entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

b. Origem Cristã

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (panteão) num templo cristão e o dedicou a “Todos os Santos”, a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een”, até chegar à palavra atual “Halloween”.

Por outro lado, já desde o ano de 998, Santo Odilon, abade do mosteiro de Cluny, no sul da França, promovia a celebração do dia 2 de novembro, que seria uma data para rezar pelas almas dos fiéis que haviam falecido; por isso foi chamada de festa dos “Fiéis Defuntos” ou “Finados”. Esse costume difundiu se primeiramente por toda a França e, depois, por toda a Europa. Essas festas instituídas pela Igreja conseguiram eliminar boa parte do fundo pagão da celebração celta.

O HALLOWEEN, HOJE
Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um caráter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos “disfarces”, muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra (peste bubônica), que dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar.

Possivelmente, a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, “doce ou travessura”), teve origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500 1700). Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados.

Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I. O plano, conhecido como Gunpowder Plot (“Conspiração da pólvora”), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida. Em pouco tempo a data converteu se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo lhes: trick or treat. Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses.

Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa.

NOVOS ELEMENTOS DO HALLOWEEN
A celebração do 31 de Outubro – muito possivelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas – vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos “neo pagãos”, e em alguns casos assume até mesmo o caráter de celebração satânica e ocultista.

Hollywood contribui para isso com vários filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual a violência plástica e os assassinatos acabam por criar no espectador um estado de angústia e ansiedade. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças, gerando nelas o medo e uma idéia errônea da realidade.

A ligação dessa festa com o mal e com o ocultismo se comprova também pelo fato de que na noite do 31 de outubro se realizam na Irlanda, nos Estados Unidos, no México e em muitos outros países missas negras e outras reuniões desse tipo.

Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos desses elementos. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e toda espécie de monstros horríveis, que às vezes chegam a ter conotações verdadeiramente satânicas.

Os católicos podem participar das comemorações do Halloween, desde que o façam com sentido cristão, tendo em conta a festa que a Igreja comemora no dia seguinte, e respeitando os limites da Moral, evitando as “farras” e as “bebedeiras”. Evidentemente, isso implica também usar da prudência para afastar-se das manifestações de fundo anticristão que mencionamos acima. Da mesma forma, não há problema com o uso de fantasias, contanto que não sejam demasiado agressivas ou “ousadas”.

Fonte: http://www.quadrante.com.br 

A Igreja, Sinal Sacramental da Salvacao

Texto de uma palestra dada no Rio de Janeiro sobre este tema, explicando a necessidade da Igreja visível e da Hierarquia.

Por que a Igreja é necessária?

A Igreja é necessária para nos salvar; para nos salvar de nós mesmos. Somos todos descendentes de um pai comum: Adão. Adão, como podemos ver na Sagrada Escritura (Gn 3), "pisou na bola". Não, não tem nada a ver com sexo nem com maçãs. Deus disse a Adão que ele poderia comer de todos os frutos do jardim do Éden, menos da árvore do conhecimento do Bem e do mal. A Serpente convenceu Eva, que convenceu Adão, a comer destes frutos, para que passassem a "ser como deuses" (Gn 3,5). O que é "ser como um deus"? É determinar o que é certo e o que é errado, dizer "Isto é bom", "Isto é mal" por conta própria. Querer "ser como um deus", então, significa querer mandar no próprio nariz, obedecer ao próprio umbigo no lugar de obedecer a Deus. É isso que a sociedade de hoje prega, basta ver em qualquer banca de jornais: revistas ensinando a "descobrir o deus dentro de você" e outras barbaridades. Foi este pecado, um pecado de orgulho, que Adão cometeu.

Ora, Deus já havia advertido a ele que se ele comesse destes frutos ele morreria. E ele morreu, e com ele morremos todos nós, seus descendentes. Morremos não só de corpo - ou alguém aqui acha que vai estar vivo no ano três mil? - mas, o que é mais importante e mais trágico, de alma. Nossos corpos envelhecem - culpa do pecado de Adão -, adoecem - culpa do pecado de Adão -, morrem - culpa do pecado de Adão. Nossa vontade não obedece, como deveria, à nossa inteligência. Quem aqui nunca teve que lutar muito para conseguir vencer uma vontade que a inteligência sabe que é errada?

Nossa alma é incapaz de Salvação. Nossa alma, quando nascemos, é inimiga de Deus, tende a fazer o mal. Quando somos batizados nos livramos deste pecado original, mas permanecem seus efeitos. Continuamos, mesmo depois do batismo, a ter a vontade desobediente, a adoecer, a envelhecer, a morrer...

Depois de Adão, o homem procurou fazer com suas próprias forças algo que nunca poderia fazer sozinho, algo que o homem não tem capacidade de fazer por conta própria: reconciliar-se com Deus. Era feito então, como é feito ainda hoje pelos índios e outros selvagens, um culto meramente natural a Deus - oração, reconhecimento da existência da Divindade a quem devemos veneração (venerar é o que um filho faz com um pai: louvar - "Papai, você é o máximo!", agradecer e pedir) e adoração (adorar é oferecer sacrifícios - no caso dos pagãos de que estamos falando, sacrifícios de bichos e sacrifícios pervertidos de gente);

Esta perversão do culto a Deus, com sacrifícios humanos e tudo o mais, levou a uma outra perversão ainda maior: a idolatria. Idolatria é achar que são divinas criaturas que nada mais são que um sinal desta divindade; a ordem do mundo é um reflexo da perfeita ordem divina. Idolatria, podemos dizer, é como achar que as pinceladas são O Pintor. Podemos reconhecer O Pintor por suas pinceladas, mas é ridículo afirmar que elas sejam O Pintor!

Deus então fez Sua aliança com Abraão, tendo como sinal a circuncisão( Gn 17,11). Na circuncisão, ao mesmo tempo é efetuada e simbolizada a Aliança divina. É este o primeiro Sacramento, ou seja, o primeiro sinal visível e eficaz de uma realidade invisível.. Este mesmo sinal foi depois reutilizado na aliança com todo o povo judeu, acrescido de vários outros sinais sacramentais. Estes sinais, porém, tinham uma diferença essencial em relação aos Sacramentos da Nova Aliança: não santificavam, isto é, não infundiam a Graça Santificante ("não podiam tornar perfeito segundo a consciência o celebrante"- Hb 9,9). Pela circuncisão era realmente efetuada uma aliança com Deus; esta aliança, porém, não era uma aliança salvífica, sim preparatória para a aliança salvífica a ser efetuada no Cristo Jesus. A graça que um judeu recebesse por um "sacramento" da Antiga Aliança era devida não ao "sacramento", mas à fé na Revelação que prenunciava Cristo que, por este sacramento, ele demonstrava.

Por esta aliança o povo escolhido já passava a poder perceber que a Criação não é O Criador, mas O apresenta e pode ser usada por Ele para efetuar a Sua Aliança. Pelo uso de elementos como determinadas ervas, bichos a sacrificar, terra, etc., o povo percebia que a Criação não é ruim, mas também não é Deus! Sendo usada a serviço de Deus ela é ótima...

A Encarnação

Este é o maior acontecimento da história da humanidade, aliás da história de toda a Criação. Por que cargas d'água estamos no ano 2000? Por que não contamos o tempo a partir da Crucifixão?

Sabemos que a crucifixão, O Sacrifício de Cristo na Cruz, é o que torna possível a nossa Salvação ("Somos santificados mediante a oblação do corpo de Jesus Cristo"- Hb 10,10). Seria portanto bastante lógico que fosse a Crucifixão, e não a Encarnação do Verbo, a data escolhida para o início da contagem do tempo.

Há porém um ponto importantíssimo, algo que faz com que faça pleno sentido a escolha da Encarnação do Verbo. Como tem lembrado o Santo Padre, Cristo uniu-se de uma certa maneira a toda a humanidade - a toda a Criação, aliás - pelo fato da Encarnação.

A religião mosaica parece a nossos olhos de católicos de hoje uma estranha mistura de materialismo e de "espiritualismo" exagerado. O materialismo se encontra em coisas como a ênfase que era dada à obtenção de bens materiais, riquezas, saúde, etc. (ainda que o Livro de Job ajude um pouco a "quebrar" esta noção); o "espiritualismo" é manifesto, por outro lado, no ponto crucial da Revelação mosaica: a distância entre Deus e o homem. Deus é Deus, homem é homem. Este é o ponto central da Revelação judaica, algo que fez com que muitos santos judeus fossem martirizados, ao negar-se a prestar culto a homens como se deuses fossem (por exemplo, Dn 3). A intervenção divina, portanto, só podia ser implorada; o homem não tinha acesso direto à graça de Deus, o homem não tinha, em suma, a possibilidade de receber os Sacramentos.

E eis que com a Encarnação tudo isso mudou, e mudou muito! Não é mais "Deus pra lá e o homem pra cá"; Deus se fez homem. O Verbo de Deus se fez Carne (Jo 1,14). Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro homem e Verdadeiro Deus, passou a andar entre os homens. Deus entre os homens! Deus que se faz homem, Deus palpável, Deus que pode ser visto, cheirado, tocado...

Esta redução tremenda da distância entre Deus e o homem, esta aproximação - mais que isto, este assumir de nossa natureza por parte de Deus - é o ponto central da Encarnação do Verbo, é o apogeu, aquilo para que preparava a Antiga Aliança.

Notem bem: é O Sacrifício de Cristo na Cruz que nos dá acesso à graça; Deus nos salva pelos méritos de Cristo na Cruz. A Encarnação, porém, é o que possibilita o Sacrifício. É o fato de Deus assumir a nossa natureza, de Deus fazer-se "semelhante a nós em tudo, menos no pecado", que faz com que seja possível haver Sacrifício.

Cristo, enquanto andava, pregava e operava milagres, usou sempre elementos materiais; lama (Jo 9,6), água (Jo 2,7), a borda de seu manto (Mt 14,36), suas próprias mãos... Ao fazer isso, Ele nos mostra que a Criação não é ruim. Ele nos mostra que ruim é o mau uso da Criação. Hoje em dia está na moda falar mal de "violência", fazer campanha por "desarmamento", etc. Isto é a prova de que a sociedade está esquecendo a fé cristã, está caindo de novo no erro pagão. armas não são más; mal é o uso que delas é feito. Chicotes foram usados por Nosso Senhor para o bem (vergastando os vendilhões - Mt 21,12) e pelos romanos para o mal (chicoteando Nosso Senhor - Mt 27,26). Nosso Senhor mandou comprar espadas ("venda a sua túnica e compre uma espada" - Lc 22,36, e quando São Pedro tentou defendê-l'O com uma espada, Cristo o mandou guardar a espada pois não lhe havia dado ordens de usá-la naquela hora ("mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que tomarem espada por sua autoridade própria morrerão à espada" - Mt 26,52). Outros, porém, as usaram para o mal.

Nosso Senhor usou sempre, portanto, elementos materiais para seus milagres. Ele mesmo, por ser homem, é material. Cristo não é uma "sombra", um "fantasminha camarada" andando para lá e para cá fazendo-se de homem. Cristo é homem, homem forte e vigoroso, com mãos calejadas do trabalho de carpinteiro, com pernas fortes das caminhadas pela Galiléia. Homem que come, que bebe, que chora, que sua.

Do mesmo modo seus milagres são milagres que usam a matéria. Ele não fez milagres "mentais"; Ele cuspiu no chão - cuspe de homem! - e misturou o cuspe ao pó do chão para curar o cego (Jo 9,6). Ele tomou pães e peixes ("Tomou, pois, Jesus os pães..." - Jo 6,11) e os multiplicou (não os criou do nada - como aliás havia criado já todo o Universo...).

Esta "materialidade", este uso da Criação, da natureza, para fazer aquilo que está acima, que está além da natureza, é a marca da Revelação Cristã. Nada no cristianismo, nada na Fé verdadeira, renega a Criação.

No primeiro século, ainda, surgiu uma seita herética, chamada "gnose", que quer dizer conhecimento, que negava que a Criação fosse boa (é a ela que se refere S. Paulo ao advertir S. Timóteo para que evite "as contradições duma ciência de falso nome"- 1 Tim 6,20). Eles afirmavam que o importante seria apenas o Espírito, e que a carne de nada valeria. Evidentemente, para fazer isto eles precisaram negar a verdade da Encarnação. São João Evangelista, então, já velhinho, escreveu em resposta a eles, para contar a história direitinho, o Evangelho segundo São João. Reparem na diferença entre este Evangelho e os outros três; os outros contam a mesma história, praticamente na mesma ordem e quase nas mesmas palavras. As diferenças são poucas. São Mateus, que era cobrador de impostos, dá o nome de cada imposto cobrado ao falar disso em seu Evangelho, por exemplo. O Evangelho segundo São João, porém, é radicalmente diferente!

Ele foi escrito bastante depois, quando já estava surgindo esta seita herética. São João escreveu seu Evangelho, podemos perceber, respondendo aos erros destes hereges. Ele o começa afirmando logo esta profunda Verdade: a Encarnação do Verbo: "No Princípio era O Verbo, e O Verbo estava em Deus, e O Verbo era Deus. Ele estava no princípio em Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito foi feito sem ele. (...) E O Verbo se fez carne e habitou entre nós" - Jo 1,1-14). Em seu capítulo 6, ele afirma com todas as letras a materialidade do Corpo e do Sangue do Senhor Sacramentado: "Porque a Minha Carne é verdadeiramente bebida, e o Meu Sangue é verdadeiramente bebida" (Jo 6,56).

Esta "visibilidade", esta "materialidade", porém, não se esgotou quando da Ressurreição. Cristo ressuscitou - e ressuscitou homem, com corpo de homem que São Tomé tocou (Jo 20,27), com Suas chagas, com braços, com pernas... - e, subindo aos céus, nos deixou ainda um sinal visível: deixou-nos a Igreja (Mt 16,18), deixou-nos os Sacramentos e sacramentais.

O que são Sacramentos? Sacramentos são sinais visíveis e eficazes de uma graça invisível. Vemos a água do batismo, mas não vemos o efeito desta água: a regeneração do homem, a sua adoção como filho adotivo de Deus. O que são sacramentais? São objetos separados e abençoados pela Igreja para o culto a Deus: imagens de santos, terços bentos, escapulários, crucifixos...

O que é - mais importante ainda! - a Igreja? Será que a Igreja é uma assembléia invisível de todos os que crêem em Cristo? Não! A Igreja "não pode esconder-se", pois é " uma cidade situada sobre um monte" (Mt 5,14). A Igreja é visível, a Igreja é Sacramento. Nós vemos as pessoas, vemos os prédios, vemos as imagens, percebemos a existência de uma hierarquia... Mas não vemos aquilo que ela opera. Não vemos porque a Igreja é Sacramento, a Igreja é um sinal visível de uma realidade de graça invisível. Não podemos ver a graça. Vemos a Hóstia consagrada, mas não vemos que é Cristo que lá está. Sabemo-lo apenas, sabemo-lo pela fé.

Algumas pessoas, hoje em dia, contaminadas pelos erros da gnose, que está voltando com o nome de "nova era", contaminadas com os erros do protestantismo - que não deixa de ser uma outra forma da gnose - acham que podem "sentir" a graça. Confundem, pobres coitados, suas sensações falhas, sobre as quais o demônio tem força, com a graça. Confundem suas emoções com a graça, e acabam por dar mais importância a "sentir-se" assim ou assado que à graça. Acabam por dar maior importância a pessoas que elas consideram "ungidas", a pessoas que despertam nelas algumas emoções, que aos próprios Sacramentos, à própria Igreja, que é, como nos ensina São Paulo, Corpo Místico de Cristo (1 Cor 12,27), à Igreja que é o Sacramento da Salvação.

Fora da Igreja não há Salvação. Esta frase, que para muita gente parece ser de uma arrogância sem fim, é uma realidade, e uma realidade profunda. Fora da Igreja não há nem pode haver Salvação porque a Igreja é O Corpo de Cristo, e é só por Cristo que podemos ser salvos. Ninguém é salvo pelo João, pelo José ou pelo Padre Marcelo. João, José ou Padre Marcelo podem, no máximo, ajudar as pessoas a chegar mais perto da Igreja, logo a chegar mais perto de Cristo.

A Igreja é portanto a visibilidade de Cristo no mundo. Toda a Criação é boa; nada do que foi criado é ruim. Maconha serve para fazer tecidos, por exemplo - a caravela de Pedro Álvares Cabral tinha velas feitas de fibra de maconha -, mas quando é fumada tem efeitos daninhos. Armas podem defender vidas, mas também mal usadas podem ser ruins. Automóveis podem levar uma moça mais rápido para o hospital para ter seu neném, mas nas mãos de um bêbado podem tirar vidas. Cachaça em pequenas quantidades faz bem para a digestão e para o coração, mas encher a cara é péssimo.

A Igreja, porém, é melhor que tudo isso. Estes exemplos que eu dei são exemplos de coisas que não são boas nem más, mas podem ser usadas para o bem ou para o mal. A Igreja, porém, é boa em si. Ela é boa por ser O Corpo Místico de Cristo (1 Cor 12,27), ela é boa por ser a Coluna e Fundamento da Verdade (1 Tim 3,15). É da Igreja que recebemos a Verdade, a Doutrina ensinada por Nosso Senhor. Sem esta Doutrina não temos como saber o que é certo e o que é errado, o que presta e o que não presta. Sem esta Doutrina somos "deuses" como o foi Adão: somos mortos. É da Igreja que recebemos os Sacramentos, o Batismo que nos torna filhos de Deus, o Santíssimo Sacramento que nos alimenta, o óleo do Crisma que nos confirma, o Matrimônio que nos une e multiplica, a Ordem que perpetua a Igreja para as próximas gerações, a Absolvição que nos redime, a Unção dos Enfermos que nos cura a alma e por vezes o corpo...

A Igreja é visível. Ela é, como já falei trocentas vezes, um Sacramento, um sinal visível de uma realidade de graça invisível. Esta visibilidade da Igreja não se refere a edifícios com torres altas, à Rádio Catedral ou ao volume do som dos encontros carismáticos no Maracanã. Esta visibilidade se refere à Hierarquia da Igreja, à presença contínua por todo o mundo de pessoas chamadas e separadas para o serviço de Deus, que recebem de Cristo por Seu Corpo que é a Igreja a capacidade de ministrar os Sacramentos, o dever de ensinar a Doutrina e a responsabilidade de governar o povo.

Estas pessoas não são necessariamente mais santas que as outras; o contrário, aliás, é perfeitamente compreensível. Afinal de contas, vocês acham que o demônio vai fazer mais força para tentar a quem? A um Zé Mané enchendo a cara de cachaça na esquina ou a um padre? Convenhamos, o Zé Mané não vale o esforço; ele já faz por conta própria o que o demônio quer! O demônio vai atrás do padre, vai atrás do Bispo...

Não é porém pela santidade delas que os Sacramentos que elas ministram valem, ou sequer que elas devem ser obedecidas e respeitadas. Ao beijar a mão do padre não é a mão do senhor Fulano, que por acaso é padre, que beijamos. O senhor Fulano é um pecador como eu ou você. Ao beijar a mão do padre beijamos, sim, a mão de Cristo. Afinal, é pela mão ungida do padre que Cristo age ao abençoar, ao consagrar, ao perdoar os pecados (2 Cor 5,18-20)...

Ao obedecer ao padre não estamos obedecendo ao senhor Fulano, que por acaso é padre. Estamos, sim, obedecendo a Cristo, reconhecendo naquele sinal visível - lembram da definição de Sacramento? - a realidade de graça invisível que ele assinala e faz verdade.

É pela Igreja visível, sinal sacramental de Cristo, que recebemos a graça. É pelo padre, é pelo Bispo, é pelo Papa. É na obediência à Igreja, no respeito ao padre - não por quem ele é, mas por causa do quê ele é - ao Bispo, ao Papa, que podemos ter a certeza de estarmos o caminho reto e de no fim entrar pela porta estreita.

Louvado seja sempre Nosso Senhor Jesus Cristo.



©Prof. Carlos Ramalhete - livre cópia na íntegra com menção do autor

O Rosario e Biblico?

A intenção do texto não é esgotar a teologia em torno do Rosário, mas apenas demonstrar superficialmente que não existe oposição entre esta devoção e a Palavra de Deus, como julgam alguns hereges.
Vários protestantes têm uma grande pulga atrás da orelha com o rosário. "Como é antibíblico!", dizem eles. Pois bem, é hora de analisar o Rosário e ver o que a Bíblia tem a dizer sobre este assunto.

O Rosário é uma coleção de orações individuais:
1 - O Credo
2 - O Pai-Nosso
3 - A Ave-Maria
4 - Glória
5 - Salve Regina

1. O Credo Apostólico

"Creio em Deus-Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pela Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia. Subiu aos céus e está sentado à direita de Deus-Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém."

Este é um dos credos mais antigos que se conhece. Foi inicialmente usando pelos cristãos de Roma. Não há nada antibíblico nele. A única coisa que alguém poderia objetar seria a expressão "creio...na Santa Igreja Católica". Bem, a primeira pessoa a utilizar a expressão "Católica" (palavra grega para "geral, universal") foi Santo Inácio de Antioquia em sua carta aos Esmirnenses. Ele morreu em 107 A.D., o que nos faz tirar a lógica conclusão que tal designação para a igreja já era utilizada desde antes. Ele utilizou este termo para diferenciar a Igreja fundada por Cristo e pelos apóstolos das outras igrejas e filosofias heréticas que estavam aparecendo.

2. O Pai-Nosso

Bem, nada de antibíblico aqui. Sem comentários mais.

3. A Ave-Maria

"Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus. Santa Maria, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém".

Isto coloca um bom problema aos protestantes. Porquê? Veja o que a Bíblia diz sobre isso (versão KJV):

"E o anjo veio sobre ela, e disse, Ave, tu que és grandemente favorecida, o Senhor está contigo. Bem-aventurada és tu entre as mulheres". (Lc 1,28)

São Jerônimo, um dos primeiros Pais da Igreja, traduziu a Bíblia grega para o latim, e a melhor forma de traduzir para o latim a forma "grandemente favorecida" foi "gratia plena", que significa "cheia de graça". Isto denota muito bem o estado de Maria, "cheia de graça", sem pecado.

Desta forma, a primeira parte da Ave-Maria não deixa problema algum. E quanto à segunda parte?

Santa Maria? É esperado que, sendo Maria a mãe do "Santo dos Santos", ela seja também uma pessoa santa. Isto não pode ser problema para os protestantes, que acreditam que todos os cristãos são santos, de uma forma ou de outra, no mínimo.

Mãe de Deus? Maria é a mãe de Jesus, certo? Jesus era uma pessoa divina com uma natureza divina e humana. Maria "assim como fazem todas as mães" deu a luz à pessoa, não à natureza. E a qual pessoa ela deu à luz? Uma pessoa divina. Logo, Maria é a mãe de Deus.

Rogai por nós, pecadores? Pedimos que Maria ore por nós. Mas ela não está morta? Não de acordo com a Bíblia (Mc 12,26-27; Mt 27,52-53).

Nós devemos orar pelos outros, diz Tiago (Tg 5,16). Ora, mas Jesus não é o único mediador? Sim, assim como Ele é o único rei, o único Senhor, o único sacerdote, etc...E enquanto partilharmos deste seu sacerdócio e reinado, também partilhamos desta única mediação.

Agora e na hora de nossa morte? Oh-oh!, como Maria sabe quando morreremos? Bem, ela possui a visão beatífica (1 Cor 13:12; 2 Pd 1:4), e além do mais, não existe época no paraíso, somente eternidade e, portanto, nem Maria ou os anjos estão sob o limite do tempo e por isso podem ouvir todas as nossas orações.

4. Glória

"Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre. Amem".

Pequena e linda oração. Ninguém reclame dela.

5. Salve Regina (Salve Rainha)

"Salve Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa. Salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós, suspirando, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Ei-a pois, advogada nossa, esses vossos olhos misteriosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus. Bendito é o fruto do teu ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre virgem Maria. Rogai por nós, santa mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo".

É bem complicado, vamos com calma.

Rainha? Considere que Jesus, Rei dos Reis, nunca foi casado. Se um rei não possui esposa, quem, portanto, é a rainha? Sua mãe! E isto se aplica aqui.

Vida, doçura e esperança? Isto diz respeito à mediação de Maria, assunto que não abordaremos neste texto pela sua natureza mais profunda. Chamamos Maria desta forma porque ela é a causa, estritamente na forma subordinada "claro", da nossa salvação, vida, doçura e esperança (que é Jesus).

Vossos olhos misericordiosos? Maria, como imaculada, tem misericórdia de seus filhos. Lembrando que todos somos seus filhos. Ela é nossa mãe, porque somos parte do corpo de Jesus, nascido de Maria.

Clemente, piedosa, doce? Quem nega que a mãe de Jesus é clemente? Ou piedosa? Ou doce? Minha mãe (carnal) é! Quanto mais com um filho como Jesus, o filho de Deus!

Como vimos, são várias orações. Claro, existem entre nós questões sobre o rosário, como apontam alguns quando dizem que Jesus nos recomendou não rezar em "vãs repetições" como fazem os gentios (Mt 6,7).

Mas notem todos que Jesus não condena as repetições, somente as que são "vãs". Se nós condenamos católicos bêbados, não estamos condenando todos os católicos que bebem e nem significa que todos os católicos "são" bêbados. Isto somente significa que aqueles católicos que "estavam" bêbados são condenados. Aqui é a mesma coisa. Jesus disse para não rezarmos as repetições "que são vãs", ou sejam, de nada adiantariam. E porque o rosário não é incluído nestas "vãs repetições"? Porque nele nós meditamos os mistérios da vida, morte e ressurreição de Cristo, e isto nunca será "vão". A Ave-Maria somente é a base para todos estes mistérios. Nunca se acreditou que se consegue alguma coisa com uma certa quantidade de orações. O Rosário bem recitado é aquele bem meditado, com concentração. Onde as palavras não são somente balbuciadas, mas rezadas com fé.

Então, da próxima vez que alguém se dizer um cristão, pergunte como honra a Maria. Se disser "não, obrigado, não sou idólatra, somente honro a Jesus", pergunte então porque a Bíblia nos pede para honrarmos os santos (1 Pd 1,6-7), e porque Maria é tão "grandemente favorecida".

"Doravante, todas as gerações me proclamarão bem-aventurada" (Lc 1,48).

Traduzido para o Veritatis Splendor por Rondinelly Ribeiro Rosa.

 Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/109-maria-santissima/1258-o-rosario-e-biblico

Catolico, voce sabia...

1 - Que a interpretação da Bíblia cabe a autoridade da Igreja e não é de interpretação pessoal? Podemos confirmar isto em 2 Pedro 1, 20:
 “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal”.
E em 2 Pedro 3, 15-16  :
 15 Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar, como também vosso caríssimo irmão Paulo vos escreveu, segundo o dom de sabedoria que lhe foi dado. 16  É o que ele faz em todas as suas cartas, nas quais fala nestes assuntos. Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras.
 
2 - Que o templo de Deus construído ricamente pelo rei Salomão estava cheio de imagens de escultura e Deus se manifestou nesse templo e o encheu de sua Glória? E que havia imagens gigantes, leões etc?Veja em Ezequiel 41, 17-20:
17 Acima da porta, no interior e no exterior do templo, e por toda a parede em redor, por dentro e por fora, tudo estava coberto de figuras: 18 querubins e palmas, uma palma entre dois querubins. Os querubins tinham duas faces: 19 uma figura humana de um lado, voltada para a palmeira, e uma face de leão voltada para a palmeira, do outro lado, esculpidas em relevo em toda a volta do templo. 20 Desde o piso até acima da porta, havia representações de querubins e palmeiras, assim como na parede do templo.
 E em Ezequiel 43, 4-6:
4 A glória do Senhor penetrou no templo pela porta oriental. 5 O espírito levou-me e transportou-me ao átrio interior: eis que o templo estava cheio do resplendor do Senhor. 6 Ouvi, então, que alguém me falava do interior do templo, enquanto o homem se conservava (sempre) a meu lado.
 
3 - Que o próprio Deus mandou fabricar uma série de imagens e prometeu até falar no meio delas? Confira em Êxodo 25,22:
“Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.”
 
4 - Você Sabia que Paulo em 2 Timóteo 1,18 ora a Deus pelo seu amigo Onesíforo que já era falecido? Leia:
“O Senhor lhe conceda a graça de obter misericórdia junto do Senhor naquele dia. Sabes melhor que ninguém quantos bons serviços ele prestou em Éfeso”.
 
5 - Que o Batismo de Saulo (Paulo) foi feito no interior de uma casa em Damasco e não foi feito por Imersão? Veja em  Atos 9, 11-18 :
11 O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando. 12 (Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.) 13 Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém. 14  E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome. 15 Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel. 16 Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome. 17 Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo. 18 No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.
 
6 - E que Cristo quando criança foi circuncidado, pois era judeu, e quando adulto foi batizado, mas não precisava do batismo?

7 - Você Sabia que os sacerdotes católicos não casam, porque esse ato está em várias passagens Bíblicas? Eis uma Mateus 19-12 :
Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.
 
8 - Que a confissão ao Sacerdote também é tirada de várias passagens Bíblicas? Eis: Mateus 3,6:
“Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão”.
E outra Jo 20,22:
“Recebei o Espírito Santo! Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; aqueles a quem retiverdes, serão retidos”.
 
9 - E Jesus Cristo perdoa os pecados, também através do Sacerdote? Vejamos em Tiago 5,14-15 :
“14 Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. 15 A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados”.
 
10 - Que em Lucas 16,26-27 o mal rico já falecido, pede intercessão de Abraão? E que ele também estava, pois a par, dos fatos concernentes aos vivos? Confirmemos:
“27 O rico disse: – Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, 28 para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos”.
 
11 - Você Sabia que não basta crer, pois é preciso viver a fé, e vivê-la em santidade? Daí a exigência dos mandamentos? Daí a moral que a igreja ensina? E que fé sem obras e obras sem fé não valem nada? Confira em Tiago 2, 14-22:
14 De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? 15 Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, 16 e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? 17 Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. 18 Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. 19 Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. 20 Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? 21 Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? 22 Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas.
 
12 - Sabia que o número 666, Apocalipse 13,18, refere-se a um homem (Nero)? E não é um cargo de chefes da Igreja Católica, como dizem alguns? Leia:
“Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência, calcule o número da Fera, porque é número de um homem, e esse número é seiscentos e sessenta e seis”.
 
13 - Você Sabia que as procissões religiosas tem fundamentações Bíblicas?  Confira em Josué 3,3 :
“[...] dando ao povo esta ordem: Quando virdes a arca da aliança do Senhor, vosso Deus, levada pelos sacerdotes, filhos de Levi, deixareis vosso acampamento e vos poreis em marcha, seguindo-a”.
 E em Josué 6,4:
“Sete sacerdotes, tocando sete trombetas, irão adiante da arca. No sétimo dia dareis sete vezes volta à cidade, tocando os sacerdotes a trombeta”.
E também em Números 10,33-34:
“33 Partiram da montanha do Senhor e caminharam três dias. Durante esses três dias de marcha, a arca da aliança do Senhor os precedia, para lhes escolher um lugar de repouso. 34 A nuvem do Senhor estava sobre eles de dia, quando partiam do acampamento”.
 
14 - Sabia que Liturgia significa serviço público e era usada originalmente em política. Era o serviço que o soberano prestava ao povo, partilhando tudo que era arrecadado, a fim de impedir a miséria. Com o tempo inverteu-se esse sentido, pois o povo passou a prestar homenagem aos soberanos que faziam bem seu papel. Jesus veio resgatar o sentido original da palavra, pois sendo soberano, colocou-se a serviço do povo. Liturgia é o serviço de Deus para seu povo. É Deus que se deixa conhecer, nos rituais, para nos salvar.

15 - Você sabia que a liturgia de finados, iniciou na França em 998 e foi oficializada pela Santa Sé em 1311. Sabe-se que o Abade Santo Odilon, superior do mosteiro de Cluny, na França, pediu que em todos os conventos da Ordem fosse celebrado, a partir da tarde de 1° de novembro, um ofício pelos defuntos. A partir desta prática, o Dia de Finados foi adotado pela Igreja do mundo todo.Neste dia lembremos dos nossos irmãos e irmãs falecidos, com a certeza de que a morte é uma passagem necessária da nossa condição humana para uma condição melhor, onde se pode desfrutar dos gozos celestes.
O hino medieval “Stabat Máter” canta: “Quando curpus moriétur, fac ut animae donétur, paradisi gloria” ou seja: “Quando meu corpo morrer, minha alma possa ter, a glória do Paraíso”Neste dia muitos de nós costumamos nos dirigir aos cemitérios, saudosos para cultuar nossos entes queridos que já se foram.
1Ts4, 13-14:
“Não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros que não tem esperança. Cremos que Jesus morreu e ressuscitou. Cremos também que Deus levará como Jesus os que nele morreram!” 1Ts 4,13-14
 
16 - Por fim, irmão católico, você sabia que nem tudo está na Bíblia? E que as Sagradas escrituras e a Sagrada Tradição Apostólica se completam? vejamos em Jo 21,25 :
 
“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever”.
 
E também em 2 Tessalonicenses 2,15:
“Portanto, irmãos, estai firmes; guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito.”
 
Desta forma, estimados leitores, podemos concluir que toda a Doutrina da Igreja Católica é pautada nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição, e que ambas se completam. Assim, podemos entender que o verdadeiro Depósito da fé está integralmente na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, estabelecida pelo próprio Cristo para a nossa salvação.

Fonte: http://afeexplicada.wordpress.com/2011/10/09/

Sois Cristao?

Catecismo Maior de São Pio X

“Em seguida Barnabé foi para Tarso, à procura de Saulo. Encontrou-o e o levou para Antioquia. Durante um ano estiveram juntos naquela igreja e instruíram muita gente. Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os discípulos foram chamados “cristãos”. At 11, 25-26.

1) Sois cristão?
Sim, sou cristão pela graça de Deus.

2) Por que dizeis pela graça de Deus?
Digo: pela graça de Deus, porque o ser cristão é um dom de Deus, inteiramente gratuito, que nós não podemos merecer.

3) E quem é verdadeiro cristão?
Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos Pastores da Igreja.

4) Que é a Doutrina Cristã?
A Doutrina Cristã é a doutrina que Jesus Cristo Nosso Senhor nos ensinou, para nos mostrar o caminho da salvação.

5) É necessário aprender a doutrina ensinada por Jesus Cristo?
Certamente, é necessário aprender a doutrina ensinada por Jesus Cristo, e cometem falta grave aqueles que se descuidam de o fazer.

6) Os pais e patrões estão obrigados a mandar ao catecismo os seus filhos e dependentes?
Os pais e patrões são obrigados a procurar que seus filhos e dependentes aprendam a Doutrina Cristã; e são culpados diante de Deus, se desprezarem esta obrigação.

7) De quem devemos nós receber e aprender a Dou trina Cristã?
Devemos receber e aprender a Doutrina Cristã da Santa Igreja Católica.

8) Como é que temos a certeza de que a Doutrina Cristã, que recebemos da Santa
Igreja Católica, é verdadeira?
Temos a certeza de que a Doutrina Cristã, que recebemos da Igreja Católica, é verdadeira, porque Jesus Cristo, autor divino desta doutrina, a confiou por meio aos seus Apóstolos à Igreja Católica, por Ele fundada e constituída Mestra infalível de todos os homens, prometendo-Lhe a sua divina assistência até à consumação dos séculos.

9) Há mais provas da verdade da Doutrina Cristã?
A verdade da Doutrina Cristã é demonstrada ainda pela santidade eminente de tantos que a professaram e professam, pela heróica fortaleza dos mártires, pela sua rápida e admirável propagação no mundo, e pela sua plena conservação através de tantos séculos de muitas e contínuas lutas.

10) Quantas e quais são as partes principais e mais necessárias da Doutrina Cristã?
As partes principais e mais necessárias da Doutrina Cristã são quatro: o Credo, o Padre-Nosso, os Mandamentos e os Sacramentos.

11) Que nos ensina o Credo?
O Credo ensina-nos os principais artigos da nossa santa Fé.

12) Que nos ensina o Padre-Nosso?
O Padre-Nosso ensina-nos tudo o que devemos esperar de Deus, e tudo o que Lhe devemos pedir.

13) Que nos ensinam os Mandamentos?
Os Mandamentos ensinam-nos tudo o que devemos fazer para agradar a Deus; em resumo, amar a Deus sobre todas as coisas, e amar ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.

14) Que nos ensina a doutrina dos Sacramentos?
A doutrina dos Sacramentos faz-nos conhecer a natureza e o bom uso desses meios que Jesus Cristo instituiu Para nos perdoar os pecados, comunicar-nos a sua graça, e infundir e aumentar em nós as virtudes da fé, da esperança e da caridade.

O terco, oracao repetitiva?

Certamente. Mas, o que no mundo que não se repete? Os astros percorrem sempre a mesma órbita. A terra gira sempre em torno do mesmo eixo. Os dias e as noites se sucedem sempre da mesma forma. As estações, os anos, os meses, os dias... obedecem sempre ao mesmo ciclo. As aves cantam sempre o mesmo canto. As árvores produzem sempre as mesmas flores e os mesmos frutos. Os animais e os seres humanos se multiplicam sempre da mesma forma. O coração bate no peito sempre do mesmo jeito. O sangue percorre sempre as mesmas veias... E quando queremos bem a alguém, nunca nos cansamos de dizer sempre a mesma palavra: eu te amo! Os anjos e os santos no paraíso cantam pela eternidade afora: Aleluia! Aleluia! Santo, santo, santo!...

Se assim é, por que em nossa oração, não deveríamos ouvir sempre a mesma Palavra de Deus, renovar sempre o mesmo Sacrifício e a mesma Ceia, repetir sempre o mesmo gesto de amor, balbuciar sempre a mesma invocação? Foi Deus quem nos fez assim, foi Jesus quem mandou que fosse assim, por que admirar-se de que sejamos assim? Tudo depende da qualidade do amor que nós colocamos naquilo que, ao longo da vida, podemos e devemos repetir milhares de vezes. O amor nunca se cansa, como o olho não se cansa de ver, o ouvido não se cansa de ouvir, o paladar não se cansa de saborear... Pelo contrário, na vida humana, a sucessão dos mesmos atos leva à aprendizagem, ao aprofundamento, à concentração.

O Terço de Nossa Senhora é a expressão concreta dessa realidade. Enquanto com a boca repetimos o Pai Nosso e a Ave Maria, a mente percorre, com Jesus, os mistérios de sua vida, paixão, morte, ressurreição e glorificação; e com Maria, os acontecimentos dos quais Ela participou, unida a seu Filho e à sua Igreja. Tudo adquire seu sentido na medida em que procuramos concentrar a atenção em Jesus, aprofundar o sentido de sua vida, manifestar o nosso amor a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e a Nossa Senhora. Esta forma de fazer oração é tão antiga quanto a humanidade. Ela existe em todas as religiões, em todos os cultos, porque corresponde ao nosso modo humano de relacionamento com os outros e com Deus. No cristianismo, o costume de repetir a mesma invocação data desde os seus inícios.

O próprio Jesus nos ensinou a insistir em nossa oração até sermos atendidos. O Evangelho nos refere diversas palavras de Jesus, episódios em sua vida e parábolas que incutem essa maneira de fazer oração. Com o tempo, surgiram meios concretos de organizar esse tipo de oração, como são hoje os nossos terços e rosários feitos de todo tipo de material.

Quando Jesus nos adverte que não devemos repetir nossa oração como fazem os pagãos, Ele não condena a repetição da oração – do quê Ele nos deixou exemplos e mandamentos – mas condena o modo de fazer próprio dos pagãos, ou seja, a repetição pela repetição, sem o conteúdo do amor do coração, a repetição mágica, as palavras estéreis que não atingem o coração do verdadeiro Deus.

Que durante a recitação do Terço aconteçam distrações, é normal. Isso ocorre em qualquer oração, não somente no Terço: faz parte da nossa fraqueza. Deus não repara nisso, desde que não haja má vontade; Ele sabe de quê somos feitos... Pois bem, reze o Terço; podendo, reze o Rosário inteiro. Ponha nele todo o seu amor a Jesus e Maria, procure concentrar-se na meditação dos mistérios da nossa Salvação. É este um caminho de santificação recomendado pela Igreja, em particular pelos Papas e pelos Santos.

Em 16 de outubro de 2002, o Beato João Paulo II dirigiu a toda a Igreja uma carta recomendado a oração do Terço ou do Rosário. A carta começa assim: “O Rosário da Virgem Maria... na sua simplicidade e profundidade, permanece... uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade... Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio. Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o fiel alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”.

O mês de outubro é dedicado ao Rosário de Nossa Senhora. Não deixe de invocá-la por meio da oração diária do santo Terço. O Terço é uma espécie de “corrente” que liga a terra com o céu pelas mãos de Maria. Ela mesma, em Lurdes e Fátima, pediu que rezássemos o Terço. Atenda você também o pedido de nossa santa Mãe!

Dom Hilário Moser, SDB
Bispo emérito da Diocese de Tubarão (SC) 


Fonte: http://domhilario.blogspot.com/

Missa Tridentina em Porto Alegre

Pe. Feiler diante do altar-mor da Igreja São José, em Porto Alegre
Oito de maio de 2011, 9h30. No Dia das Mães, mais de 80 fiéis se reúnem na tradicional Igreja São José, no centro de Porto Alegre, para participar de uma missa que remonta aos séculos. Especificamente o século XVI, quando o Papa Pio V, no contexto da Contrarreforma, aprovou o então novo Missal Romano, dirimindo algumas questões teológico-litúrgicas levantadas pelos protestantes de então e buscando uma unificação dos diversos ritos católicos da época.
A Comunidade de São José dos Alemães, estabelecida na capital do Estado em 1871, pôde, assim, reviver uma experiência litúrgica dos seus primeiros membros. Porém, nesta versão do século XXI, os fiéis se deslocam até a Igreja de carro, desligam seus celulares ao entrar no templo, e o sistema eletrônico de som e luzes colabora com a construção simbólica da celebração.


Atendida desde a sua fundação pelos padres da Companhia de Jesus, a comunidade foi guiada nessa "nova experiência antiga" por um jovem jesuíta: o padre Adilson Feiler. Natural de Santa Catarina, Feiler entrou para a Companhia de Jesus no ano 2000 e foi ordenado há dois anos em Curitiba. É um padre, portanto, da geração Bento XVI, como ele mesmo destaca. Feiler fez filosofia e teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - Faje, em Belo Horizonte. É mestre em filosofia pela Unisinos e doutorando na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC-RS, em cuja tese aborda uma aproximação entre dois filósofos, a partir dos conceitos de destino e amor, em busca de um pacto sobre um mesmo ethos cristão: Hegel e Nietzsche.
Após a publicação do motu proprio de Bento XVI, em 2007, a chamada "missa tridentina", a partir do missal aprovado após o Concílio de Trento, em 1570, foi novamente incentivada. A proposta do papa também era retomar a "dignidade do culto contra certas deformações causadas por uma leitura apressada do Concílio Vaticano II", como afirma o padre Feiler em artigo publicado no boletim informativo mensal da Igreja São José.
Na última sexta-feira, o padre Feiler recebeu a IHU On-Line em seu escritório, na secretaria da igreja, para conversar sobre a retomada das celebrações da missa tridentina em Porto Alegre, que deverão ter continuidade a cada 15 dias.
Com o placet do arcebispo local, Dom Dadeus Grings, Feiler dirigiu-se resoluto ao altar da Igreja São José naquele domingo, "espaço litúrgico todo privilegiado pela beleza arquitetônica como pela excelente acústica", de acordo com Feiler em seu artigo. Acompanhado por cinco acólitos, ele celebrou a missa de seus antepassados, em latim e versus Deum.
Eis a entrevista.
IHU On-Line – Como vocês chamaram essa "forma extraordinária" da missa, segundo o documento do Papa: missa tridentina, missa tradicional?
Adilson Feiler – Popularmente, nós chamamos de missa tridentina. Conversando com o senhor arcebispo, Dom Dadeus, preferimos que seja chamada de missa do Missal do Beato João XXIII, uma missa originária do Missal de São Pio V, do século XVI, e que passou por várias modificações, até ter, no Missal de 1962, de João XXIII, sua forma última. Eu prefiro chamar de missa do Missal de João XXIII.
IHU On-Line – Como nasceu a ideia de celebrar a missa tridentina aqui, em Porto Alegre?
Adilson Feiler – Essa missa já foi possibilitada por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, desde 2007, dois anos depois do início do seu pontificado. Então, em vários lugares no Brasil, essa missa já existia, já era celebrada, de maneira – como você disse – extraordinária. Causou algumas repercussões em algumas comunidades, pelo que eu tenho acompanhado, quando alguns padres decidiram substituir missas de maneira ordinária. Isso criou alguns problemas, mas que foram, depois, contornados com o diálogo.
Então, quando eu estive em Curitiba, no ano passado, eu cheguei a presidir essa missa em algumas ocasiões em duas paróquias. São os padres seculares, diocesanos, que a presidem. E, às vezes, eles pediam para que eu os substituísse, quando não podiam. E não são muitos os padres, pelo que eu sei, que presidem essa missa.
Quando eu cheguei aqui em Porto Alegre, algumas pessoas souberam que eu já presidia essas missas, de maneira extraordinária, esporadicamente; perguntaram, então, se haveria a possibilidade de eu presidir essa missa aqui, na Igreja São José. Eu respondi: "Olha, vou ter que consultar o reitor da Igreja [Pe. Eloy Oswaldo Guella, SJ], em primeiro lugar, e as pessoas da comunidade". Esta é uma Igreja particular, da comunidade dos alemães, não é da Companhia de Jesus. Os jesuítas apenas prestam um serviço, desde a sua fundação, há mais de 100 anos. Então, em discernimento diante do Senhor, a comunidade achou que seria uma experiência interessante, que poderíamos começar para ver.
Mas, é claro, nós tínhamos que tratar também desse assunto com o ordinário da Arquidiocese de Porto Alegre, que é o senhor arcebispo, a quem nós estamos, em primeiro lugar, submetidos. Sobre qualquer coisa que diga respeito ao serviço da Igreja, temos que nos dirigir ao senhor arcebispo e à comunidade. Então, conversamos com o arcebispo, ele nos disse que não haveria problemas, que inclusive algumas pessoas já solicitaram essa missa a ele.
Então, surgiu essa possibilidade. Nós preparamos alguns acólitos daqui mesmo, já que é uma missa cheia de rubricas e exige bastante preparo – a própria pronúncia do latim, requer-se um certo conhecimento da língua. Presidimos a primeira missa no domingo passado [8 de maio], às 9h30, e durou exatamente uma hora, pois temos a missa ordinária às 10h30.
IHU On-Line – E como a comunidade em geral reagiu? Qual foi a repercussão?
Adilson Feiler – Havia muitas pessoas, em torno de 86. E isso que foi no Dia das Mães, e muitas pessoas que não puderam vir disseram que querem participar das próximas. E havia pessoas não só de Porto Alegre, mas até de Encantado. Então, o que as pessoas disseram? Agradeceram pela missa. E eu achei impressionante, porque nós preparamos um ritual que as pessoas pudessem acompanhar, bilíngue – português e latim –, e as pessoas respondiam e cantavam. Nós fizemos uma missa híbrida, porque existem as low masses, que são as missas simples, e as missas solenes, high masses. Então, tomamos a missa simples, porém com enxertos da missa solene. E eu senti o quanto as pessoas aproveitaram, cantaram, rezaram.

Igreja São José, no centro de Porto Alegre
É claro, algumas pessoas que nunca tinham vivido esse rito tiveram alguma dificuldade em  acompanhar o ritual. Mas, em geral, ouvi elogios das pessoas. Aquelas que vieram, na sua grande maioria, é porque pediram essa missa, salvo outras que vieram por curiosidade. Nós evitamos ao máximo, conforme conversamos com o senhor arcebispo, não tornar esse ritual da missa um espetáculo, um teatro. Porque a missa tem um valor em si mesma, o sacrifício que se renova da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor. Sobre o aspecto místico, posso destacar que, desde a preparação, entre os cinco auxiliares de missa, os cinco acólitos que estavam na sacristia, havia um silêncio, um recolhimento que proporcionou a essas pessoas um clima de oração, de comunhão com Deus. Eu senti isso muito. E, se fosse fazer uma síntese, a repercussão foi positiva nas pessoas, elas se sentiram contentes, agradeceram. Muitas chegaram depois na sacristia e disseram: "Obrigado, padre, por nos ter dado esse presente". Então, eu senti o quanto elas fizeram uma experiência de Deus. Fazendo uma avaliação, eu diria que alguns detalhes nós podemos melhorar nas próximas ocasiões, mas, no todo, foi válido.
 IHU On-Line – Foi toda rezada em latim, ou houve momentos, como as leituras, que foram em português, como o motu proprio permite?
Adilson Feiler – No documento motu proprio diz-se que as leituras podem ser em português. Nós fizemos em latim. Estamos pensando, para a próxima missa, em fazê-las em português. A homilia, que é feita no púlpito, é em português. Na próxima missa, estamos pensando em até fazer uma breve explicação, já que essa missa não tem comentários. Tem certos elementos que não se pode mudar. Pode-se fazer as leituras em português, como nós pensamos para a próxima, e uma breve explicação da estrutura da missa, para que as pessoas possam aproveitar mais, uma espécie de catequese fora da homilia, que é o momento em que o padre se volta para as pessoas. Em outros momentos, ele está versus Deum [voltado para Deus], mas, em outros, ele se volta para as pessoas, como em algumas invocações, Dominus vobiscum [Deus esteja convosco].
IHU On-Line – Para o fiel, quais são as principais diferenças litúrgicas da missa celebrada no rito antigo com relação à missa em sua forma ordinária, segundo o missal de Paulo VI usado hoje?
Adilson Feiler – Conforme o documento do papa, não é um outro rito: é o mesmo rito, o rito latino. Porém, muda a maneira de celebrar, uma maneira que é chamada – popular ou vulgarmente – de "tridentina". Mas o que basicamente muda são alguns gestos do padre, a sua própria postura: ele está versus Deum – essa é a grande diferença – e o fato de ser em latim.
Também as orações ao pé do altar, logo no princípio. São recitadas algumas antífonas: "Introibo ad altare Dei qui lætificat juventutem meam", "Subirei ao altar de Deus, que é a alegria da minha juventude", mais alguns versículos do Salmo 42. É uma espécie de preparação que o padre com os seus acólitos fazem.
Existe também uma única oração eucarística, que é o Cânon RomanoI Oração Eucarística do missal atual –, e que é toda rezada em silêncio, in secreto. Talvez esse seja o ponto que mais crie estranhamento nas pessoas, porque é uma oração toda em silêncio. Então, esse é um ponto que merece um esclarecimento para as pessoas, principalmente as que não viveram essa missa.
Outra diferença é um segundo Evangelho, sempre fixo, que é o Prólogo do Evangelho de João, que é rezado depois da bênção final, na Sacra, ao lado esquerdo do altar, que é o lado da Epístola, como nós chamamos – Epístola, Evangelho e Lavabo: esses são os três lados do altar.
Basicamente são essas as diferenças. Não há grandes diferenças. O Kyrie, o Ato Penitencial, o Glória, o Creio são todos iguais, só que em latim.
IHU On-Line – O senhor também disse que a proposta não é de uma experiência estética. Então, com relação aos aspectos teológicos mais de fundo, por que rezar uma missa tridentina e por que não a missa ordinária?
Adilson Feiler – Nós celebramos a missa ordinária diariamente, e, como o próprio nome já diz, é a missa da ordem comum. Já a missa do Missal de João XXIII é uma missa extraordinária, conforme as orientações do papa. As pessoas que querem, têm a possibilidade de celebrar também a missa extraordinária.
IHU On-Line – Mas existe alguma opção teológica de fundo?
Adilson Feiler – Não. Simplesmente colocamos em prática uma das orientações do Papa Bento XVI. As pessoas que querem, pedem, têm como direito seu que se celebre essa missa. Se há uma comunidade de fé de pessoas que partilham e que conhecem minimamente o latim, que comungam desse espírito, elas fazem a experiência de Deus: aí não se torna espetáculo. Caso contrário se torna algo externo. Então, se existe uma comunidade de fiéis que comungue com isso, teologicamente falando, a missa nova é igual à missa antiga: ou seja, a Igreja faz eucaristia, a eucaristia faz Igreja, um processo dialético. A unidade da fé dos fiéis: isso é igual. Desde tempos imemoriais até o futuro, deve ser respeitado o princípio segundo o qual cada Igreja particular deve estar de acordo com a Igreja universal sobre a doutrina da fé e os sinais sacramentais, nos usos universalmente transmitidos pela tradição apostólica contínua. Estes devem manter-se não só para evitar os enganos, mas também para que a fé seja transmitida em sua integridade, já que a regra de oração da Igreja (lex orandi) corresponde a sua regra da fé (lex credendi).

Pe. Feiler e o púlpito de onde é proferida a homilia na missa tridentina 
IHU On-Line – Foi necessário algum tipo de negociação com a Igreja local, com Dom Dadeus ou com os seus irmãos jesuítas? Foi necessário obter autorização? Adilson Feiler – A primeira autorização tivemos que pedir à comunidade. Eu sou vice-reitor. O reitor da Igreja é a autoridade máxima aqui dentro [da comunidade]. Claro, você tem que conhecer minimamente a comunidade. Esse é o princípio missionário da Companhia de Jesus: se adaptar aos tempos, lugares e pessoas.
A comunidade São José é uma comunidade tradicional. Não daria para se fazer isso em outras comunidades em que eu vivi, que já não têm esse perfil. Eu não estaria falando, traduzindo o Evangelho na linguagem dessas pessoas. Aqui, então, foi perfeitamente viável.
Mas foi necessária uma negociação com o reitor da Igreja, com a comunidade e com o arcebispo, que é o nosso ordinário no que diz respeito a qualquer coisa que formos fazer. No que diz respeito ao celebrar o culto, propriamente – embora o papa autorize a presidência desta missa extraordinariamente –, para nos manter em comunhão com a Igreja local, nós tivemos que pedir a autorização, o placet do senhor arcebispo. Isso foi muito tranquilo.
No nosso boletim, eu até escrevi uma breve nota sobre o documento motu proprio, já que isso pode causar um certo estranhamento em algumas pessoas. Tudo o que você for fazer vai causar prós e contras. É claro, temos que suscitar a discussão e enfrentar o conflito mais com argumentos, que sejam minimamente plausíveis para que venham corroborar a nossa proposta de possibilitar às pessoas ter acesso a essa missa. Pessoas que conhecem, que participam, que fazem uma experiência de Deus dentro desse rito, melhor dizendo, dentro dessa maneira de celebrar.
IHU On-Line – E com os jesuítas, como foi?
Adilson Feiler – Alguns apoiam, outros não. Há controvérsias. E é inclusive salutar que existam.
IHU On-Line – Quais são os projetos a partir de agora? A missa no rito antigo vai ter continuidade, de 15 em 15 dias?
Adilson Feiler – Esperamos que sim. O nosso termômetro é a comunidade dos fieis, a quem nós servimos.
IHU On-Line – E estão planejadas outras celebrações segundo o missal de Pio V, como batizados, casamentos etc.?
Adilson Feiler – A princípio, até se poderia, segundo o documento. Mas por enquanto são as eucaristias, quinzenalmente.
IHU On-Line – E com relação à instrução sobre o motu proprio, que vai esclarecer algumas questões que foram surgindo ao longo do tempo, o que o senhor desejaria que ficasse mais claro?
Adilson Feiler – Um esclarecimento maior sobre o fato de que a missa do Missal de João XXIII e a missa do Missal de Paulo VI são a mesma missa. Não se tratam de ritos diferentes (o que seria algum rito oriental, por exemplo). E também um esclarecimento para que não exista confusão entre a maneira tridentina de celebrar com o ser conservador. Essa é a grande confusão que pode ser causada nas pessoas. Acho que é um juízo, no mínimo, apressado.
IHU On-Line – Perante uma sociedade que se diz pós-moderna, líquida, marcada pela revolução tecnológica, que significado o senhor percebe nessa retomada de uma fé mais tradicional? É um paradoxo ou é um sinal dos tempos?
Adilson Feiler – Isso nós podemos assistir em todos os momentos da história quando se está vivendo uma abertura grande: de repente, se vê a fragmentação. Nós podemos dizer que o homem pós-moderno, o homem de hoje, está fragmentado. E, nessa fragmentação, está havendo a busca de algo, de um sentido. Nós estamos mergulhados em um chamado "niilismo". Então é preciso estabelecer algum ponto de sustentação, e acredito que, possivelmente, essa maneira de celebrar seja uma das respostas às quais somos chamados.
Claro, todas as mudanças são doloridas, são traumáticas. Estamos vivendo uma fase de transição. Fui ordenado na era Bento XVI, que é uma outra era. Eu tenho que enfrentar, digamos, críticas de uma parte que viveu uma outra era. Então, é comum isso dentro da sociedade, da Igreja e mesmo nas ordens religiosas. Temos que viver aquilo que Santo Inácio diz: estar aberto aos tempos, ao espírito dos tempos. E o espírito que nós vivemos é este: de fragmentação e, dentro dessa fragmentação, há uma busca. Então é preciso estabelecer sentido para a vida, valores, e, dentro deles, também pode-se destacar os valores religiosos, celebrativos. As pessoas estão buscando a mística, o silêncio na liturgia: ou seja, o mistério. O barulho se torna espetáculo; o silêncio conduz as pessoas ao mistério. E para endossar esta ideia cito um pensamento de um teólogo jesuíta Karl Rahner: "O cristão do futuro ou será místico ou não será cristão". A maneira tridentina de celebrar não seria uma busca dessa mística?
(Por Moisés Sbardelotto)

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43279

Nao duvidar daquilo que a Igreja ensina

"O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito" (João 14,25).

Antes de Jesus sofrer a Sua Paixão, na noite da despedida, naquela última Santa Ceia memorável, deixou bem claro aos apóstolos que eles teriam a assistência permanente do Espírito Santo. Sinta-se um instante naquela Ceia e ouça-O falar naquela noite memorável da despedida: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito (Defensor), para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (João 14, 15-17).

Ora, como poderia a Igreja Católica se desviar do caminho de Deus se o Espírito da Verdade está nela e, com ela, desde o começo, e nela “permanece” sempre? Será que essa Promessa de Jesus não se cumpriu? Será que o Senhor mentiu naquela noite memorável? Não! Jesus foi enfático, o Espírito Santo não só “permanecerá convosco”, mais ainda: “estará em vós”, eternamente.

Na mesma noite da despedida, Jesus ainda disse aos apóstolos: “Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,25).

Ora, como pode a Igreja se enganar na sua missão de levar os homens a Deus se o Senhor lhe prometeu na última noite: o Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”? Observe que Cristo colocou o verbo no futuro: “ensinar-vos-á”; quer dizer: todos os dias daquele dia em diante, até Ele voltar. Ele continua a ensinar a Igreja, e a Igreja aos homens.

Nem tudo que a Igreja acredita está na Bíblia, muitas coisas o Espírito Santo ensinou para ela [Igreja] no decorrer dos séculos: é a Sagrada Tradição. É por isso que cremos nos dogmas ensinados pela Igreja hoje e sempre.

Aqueles homens simples da Galileia não tinham condições de assimilar todas as verdades da fé, toda a teologia que hoje a Igreja conhece (dogmática, cristologia, liturgia, mariologia, pneumatologia, escatologia, exegese bíblica…), depois de muito estudo e reflexão. Jesus, então, lhes explicou que o Espírito Santo de Deus, o Espírito da Verdade, os guiaria à verdade no futuro. Como poderá, então, a Igreja errar se o Senhor lhe prometeu que o Seu Santo Espírito da Verdade “ensinar-vos-á toda a verdade”, desde o começo? Note que o verbo está no futuro.

Uma grande prova de que a Igreja Católica não erra, no essencial, é que, em toda a sua longa história de 2 mil anos, nunca um Papa revogou um ensinamento sobre a fé ou a moral de um antecessor seu. O mesmo aconteceu com os 21 Concílios ecumênicos (universais) que a Igreja já realizou; nunca um Concílio revogou um ensinamento de fé de outro anterior. Esta é a marca do Espírito Santo na Igreja: não há contradição.

“Fora da Igreja não há salvação”, diziam os Santos Padres dos primeiros séculos da Igreja. E o Catecismo da Igreja Católica (CIC) explica o que isso significa: “Toda salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu Corpo” (CIC § 846). Logo, sem a Igreja não pode haver salvação. Mesmo os não cristãos, sem culpa, podem se salvar se viverem de acordo com sua consciência, são salvos por meio da graça concedida à Igreja. Aqueles que, conscientemente, rejeitarem a Igreja, rejeitarão também a salvação. Jesus afirmou aos apóstolos, hoje nossos bispos: “Quem vos ouve, a Mim ouve, quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou” (Lc 10,16).

Só a eles o Senhor confiou o encargo de ensinar, sem erro, com a assistência do Espírito Santo. Por isso a Igreja é essencial.

A Igreja que Jesus fundou é a que “subsiste na Igreja Católica”, que tem 2 mil anos e nunca ficou sem um chefe, Sucessor de Pedro, que o Senhor escolheu.

Professor Felipe Aquino

Fonte: http://www.cleofas.com.br/

Breves consideracoes sobre o ateismo

A existência de Deus não é um dado apenas da fé, pois Ele é cognoscível naturalmente, ou seja, sua existência pode ser verificada por meio de provas racionais. Dessa forma, como explicar que haja ateus? Será verdade que existem? E, se existem, quais são as causas e conseqüências do ateísmo?

Ateu é o que não crê na existência de Deus.

Desta definição se vê que não devemos incluir no número dos ateus:

a) Os indiferentes, que põem de parte o problema da origem do mundo e da alma, e vivem sem preocupações acerca de seu destino. Ainda que esta disposição de espírito conduza ao ateísmo, os indiferentes não são ateus propriamente ditos.

b) Os agnósticos, para os quais Deus pertence ao domínio do incognoscível. Esta atitude equivale a um cepticismo religioso.

c) Muito menos devem ser tidos por ateus aqueles que ignoram quase por completo a religião e professam exteriormente o ateísmo, porque julgam essa atitude própria dos espíritos fortes, ou porque têm interesse de seguir a corrente do favoritismo oficial.

Portanto, devemos somente considerar como ateus os homens de ciência e os filósofos que, depois de ponderar maduramente as razões, pró e contra, da existência de Deus, optam pela negativa. Embora pouco numerosos proporcionalmente, os ateus têm um número crescente e geralmente atuam em conjunto com agnósticos.

As causas do ateísmo podem ser intelectuais, morais e sociais.

Causas intelectuais

a) A incredulidade dos homens de ciência, deve atribuir-se ordinariamente a preconceitos e ao emprego de um método falso. É evidente que nunca poderão ultrapassar os fenômenos e atingir as substâncias, se nesta matéria empregam o método experimental, que só admite o que pode ser objeto da experiência e ser observado pelos sentidos. Notemos ainda que algumas fórmulas, por eles usadas, não são verdadeiras, pelo menos no sentido em que tomam. Por exemplo, quando alegam que a matéria é necessária e não contingente, invocam para o demonstrar a necessidade da energia e das leis. Ora, é bem claro que a palavra necessária neste caso é equívoca. A necessidade pode ser absoluta ou relativa. É absoluta, quando a não-existência encerra contradição; relativa quando a coisa em questão, na hipótese de existir, deve possuir tal ou tal essência, esta ou aquela qualidade, por exemplo: uma ave deve ter asas, sem elas já não seria ave.Como a energia e as leis são necessárias somente no sentido relativo, os materialistas erram em concluir que a matéria é o “Ser necessário no sentido absoluto”.

b) O ateísmo dos filósofos contemporâneos tem a sua origem no criticismo de Kant e no positivismo de Conte. Segundo os criticistas e os positivistas, a razão não pode chegar à certeza objetiva, nem conhecer as substâncias que se ocultam sob os fenômenos. Diminuindo assim o valor da razão, rejeitam todos os argumentos tradicionais da existência de Deus. Pode pois dizer-se que a crise de fé, na maioria dos filósofos contemporâneos, é de fato uma crise da razão. Mas há de acontecer a esta o que acontece aos que estão injustamente detidos: será um dia reabilitada e retomará os seus direitos.

Causas morais

a) A falta de boa vontade. Se as provas da existência de Deus se estudassem com mais sinceridade e menos espírito de crítica, não haveria tanta resistência à força dos argumentos. Também não se deve exigir dos argumentos mais do que eles podem dar: é evidente que a sua força demonstrativa, ainda que real e absoluta, não nos pode dar evidência matemática.

b) As paixões. A fé é um obstáculo para as paixões. Ora, quando alguma coisa nos incomoda, encontramos sempre motivos para nos afastar. “Há sempre no coração apaixonado, motivos secretos para julgar falso o que é verdadeiro...facilmente se crê o que muito se deseja; e quando o coração se entrega à sedução do prazer, o espírito abraça voluntariamente o erro que lhe dá razão” (Frayssinous, Defense du christianisme. L´ incrédulité dês jeunes gens). P. Bourget (Essai de psychologie contemporaine), refletindo sobre a realidade francesa, numa análise penetrante que faz da incredulidade, escreve as seguintes linhas: “O homem quando abandona a fé, desprende-se, sobretudo, duma cadeia insuportável aos seus prazeres...Nenhum daqueles, que estudaram nos nossos liceus e universidades, ousará negar que a impiedade precoce dos livres pensadores de capa e batina começou por alguma fraqueza da carne, seguida do horror de a confessar. Acode imediatamente a razão a aduzir argumentos (!!!) em defesa duma tese de negação, que já antes admitira por causa das necessidades da vida prática”.

c) Os veículos de comunicação. Não aludimos aos que são claramente imorais, mas aos que atacam disfarçadamente e continuamente os fundamentos da moralidade e, em nome de um pretendido progresso e de uma suposta ciência, querem fazer-nos crer que Deus, a alma e a liberdade são apenas palavras a encobrir quimeras.

Causas sociais

a) A educação. Não é exagero dizer que as escolas neutras são um terreno excepcionalmente próprio para a cultura do ateísmo. A sociedade hodierna em geral caminha para o ateísmo, porque assim o quer.

b) O respeito humano. Muitos têm medo de parecer crentes porque a religião já não é estimada em certos círculos influentes e temem cair no ridículo.

Conseqüências do ateísmo

O ateísmo, pelo fato de negar a existência de Deus, destrói radicalmente o fundamento da moral e dá origem às mais funestas conseqüências para o indivíduo e para a sociedade.

Para o indivíduo:

a) O ateu deixa-se arrastar pelas paixões. Se não há Deus, se não existe um Senhor Supremo, que possa impor a prática do bem e castigar o mal, porque razão não se hão de satisfazer todos os apetites e correr atrás da felicidade terrena, por todos os meios que estiverem ao alcance de cada um?

b) Além disso, o ateísmo priva o homem de toda a consolação, tão necessária nos reveses da vida.

Para a sociedade:

As conseqüências do ateísmo são ainda mais prejudiciais à sociedade. Suprimindo as idéias de justiça e de responsabilidade, o ateísmo leva os Estados ao despotismo e à anarquia, e o direito é substituído pela força. Se os governantes não vêem acima de si um Senhor que lhes pedirá contas da sua administração, governarão a sociedade segundo os seus caprichos. Mais ainda, os homens, na realidade, não são todos iguais nas honras, nas riquezas, nas situações e nas dignidades. Ora, se não existe um Deus para recompensar um dia os mais deserdados da fortuna, que cumprem animosamente o seu dever e aceitam com resignação as provas da vida, porque não haveriam de se revoltar contra um mundo e uma sociedade injusta e reclamar para si, a todo custo, o seu quinhão de felicidade e prazer?

Bibliografia: BOULANGER. Manual de Apologética.

 Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/115-deus-uno-trino/1235-breves-consideracoes-sobre-o-ateismo

Cremacao: tradicao crista ou costume pagao?

Um funeral cristão nem sempre é um sinal de que o morto possuía uma fé genuinamente Cristã., pois de vez em quando o clero dirige funerais por motivos de decência e respeito ou simplesmente por razões humanitárias ou sociais. De qualquer forma essas são excessões da Lei Cristã, para a qual um funeral Cristão deveria ser dado apenas para aqueles Cristãos que morreram com as justas disposições, tais como fé, contrição e aceitação da Vontade de Deus que é o que torna uma morte boa ou não.

Em sua obra De Cura pro Defunctis Gerenda, (Sobre os cuidados que se deve ter pelos mortos), Santo Agostinho declara que embora o morto não saiba o que está acontecendo agora na terra, as observâncias dos ritos funerais indiretamente proporcionam-lhes benefícios na medida em que os vivos que visitam suas tumbas são levados a recordá-los e orar por eles.

Cuidados especiais devem ser tomados com os corpos dos mortos, porque eles foram os companheiros da alma nas atividades da vida e ainda mais porque tendo sido parte de uma pessoa humana durante sua vida terrena, tais corpos serão novamente parte daquela mesma pessoa na ressurreição final, da qual a Ressurreição de Cristo é causa, certeza e esperança.

Enquanto muitas religiões acreditam na imortalidade da alma, podemos dizer que a fé na ressurreição do corpo é uma doutrina exclusivamente Cristã, e essa é entre todas as crenças, a mais difícil para a razão humana aceitar, já que é objeto pura e simplesmente de fé e o maior de todos os paradoxos .

Quando São Paulo foi pregar em Atenas no ano 51 DC, um lugar onde se reunia toda a sorte de gentios, filósofos Epicureus e Estóicos o conduziram do mercado para o Aeropagus de forma que todos pudessem ouvir aquele homem extraordinário. Mas bastou o Apóstolo começar a pregar sobre a ressurreição dos mortos que eles o deixaram falando sozinho e saíram como quem diz: “sobre esse assunto, fica pra uma outra vez”.

Dentro do paganismo a imortalidade da alma às vezes é aceita, mas a idéia de distinção entre a recompensa que a alma virá a receber, não: todas as religiões pagãs caem na mesma escuridão a respeito do que seria uma vida sem a vida. As antigas religiões místicas tinham uma vaga idéia de recompensa pela virtude e de uma abençoada perfeição numa vida futura. Mas nenhuma religião, com exceção do Cristianismo sustenta claramente que nossos corpos ressuscitarão novamente um dia, e continuarão o curso de nossas vidas, tendo nossa identidade pessoal restaurada em sua plenitude.

E foi exatamente para nutrir a fé nessa doutrina que a razão encontra tanta dificuldade em aceitar, mas que é tão fundamental para o Catolicismo (Se não há ressurreição dos mortos e nem Cristo ressuscitou, vã é a nossa fé – I Cor.15;13:14) que a Igreja sempre se opôs à cremação dos corpos de seus fiéis, ao passo que sempre permitiu uma certa variedade de enterros, seja a princípio dentro de igrejas no caso dos mártires, ou nos jardins das igrejas, em solos consagrados fora da cidade ou mesmo em cemitérios seculares.

Obviamente que o homem deixa de existir quando a morte o atinge, mas o corpo que está ali pertenceu a um ser humano e voltará a pertencer novamente na ressurreição final e isso já é o suficiente para que ele seja tratado com respeito e devidos cuidados.

Podemos afirmar que a prática antiga e contínua dos cristãos enterrarem os mortos tem raízes no Evangelho e São Paulo explica melhor o seu significado em I Coríntios 15:42, quando compara o corpo a uma semente que semeado na corrupção, ressuscita incorruptível. O enterro Cristão é portanto e antes de tudo, uma imitação do que aconteceu com o corpo de Cristo.

A Igreja nunca disse que a redução do corpo a cinzas pela incineração ou cremação é um obstáculo à ressurreição, mas como uma religião que aceita a validade do simbolismo, a Igreja dificilmente falharia em considerar a cremação como um sinal contrário à ressurreição dos corpos. Em outras palavras, a cremação pode até não contradizer diretamente a idéia da ressurreição, mas certamente joga por terra todo o simbolismo conexo à prática do enterro, bem como priva de significado vários termos usados pelos cristãos que datam de tempos imemoriais. Por exemplo, a palavra “cemitério” em sua origem significa: “local de repouso”; a palavra italiana“camposanto” significa “campo sagrado dedicado a Deus”; a palavra latina “depositio” usada no ritual em latim para exéquias é derivada nem tanto do ato de se“depositar” algo na terra, mas sim do ato legal de se entregar em depósito o corpo Cristão que será restaurado no dia da ressurreição final.

Como podemos ver, esse simbolismo é tão forte que levou a Igreja a adotar uma matéria a esse respeito: durante o século 19 e parte do século 20, a cremação era vista pelos Católicos como um sinal claro de que aquela pessoa era um pagão, ou seja, não era Cristão e nem acreditava na ressurreição. Às vezes a pessoa optava pela cremação apenas pelo medo infundado de ser enterrado vivo e não por descrença ou por ser pagão, mas de qualquer modo o Código de Direito Canônico de 1917, Cânon 1203, recusava a permitir ou reconhecer pedidos para cremação da parte dos fiéis Católicos. Já o Novo Código de Direito Canônico de 1983, Cânon 1176 permite a cremação reforçando as grandes mudanças que houveram na Igreja no período pós-conciliar. Com isso, nas cidades onde existem crematórios, rapidamente o número de cremações ultrapassou o número de enterros.

Esse obscurecimento de práticas distintamente Cristãs, mesmo numa matéria que vem de uma imemorial tradição e a qual possui um genuíno significado religioso, faz parte da acomodação geral do Catolicismo ao espírito do mundo, da diluição do sagrado, do penetrante utilitarismo e de um verdadeiro eclipse no chamado fundamental do homem para uma realidade que está muito além da figura desse mundo.

Trecho retirado da obra do autor Iota Unum.

Fonte: www.veritatis.com.br

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...