Deslizes de pregador

Deslizes não há quem não os cometa. Se for humano, mais dia, menos dia o crente escorregará. Não há santos sem escorregões. Por mais piedoso que pareça o monge, por mais provado que o pregador se revele em virtudes e por mais exemplar que seja sua vida, mais dia menos dia acaba dizendo o que não devia, fazendo o que não deveria e pecando como jamais imaginava.

Por isso, não nos apressemos em julgar os outros. Também somos candidatos aos mesmos escorregões. Uma coisa é ensinar o certo, quando vimos que alguém ensinou errado. Uma coisa é discordar do comportamento de algum irmão na fé. Outra é nos arvorarmos em juízes. Nunca sabermos o que levou àquela doutrina, àquele desvio de conteúdo e de conduta. Discordemos dele ou dela e corrijamos. Mas discordemos sem diminuí-lo. Digamos a ele no quê e por que não concordamos. Digamos aos que nos ouvem ou lêem por que não concordamos com aquela frase, aquela palavra e aquela canção. É direito e é dever de quem estudou a fé. Correção fraterna existe e é para ser usada. E precisamos ter a humildade de corrigir nossos erros quando alguém os aponta.

Pregadores não são anjos e escritores, catequistas e compositores não são infalíveis. Podemos errar e erramos. Podemos ser tentados e somos, podemos cair e caímos. Que o povo ore por seus sacerdotes e pregadores e que sacerdotes e pregadores peçam misericórdia quando errarem, peçam desculpas e perdão quando se excederem e peçam preces ao povo para errarem o menos possível.

Nunca seremos uma igreja de anjos. Anjos , arcanjos querubins e serafins não precisam de igreja. Os humanos, sim! Crer sozinho é perigoso. Quem precisa de igreja são pecadores que, às vezes posam de anjos, profetas, arautos e porta-vozes do céu, esquecidos de que outros irmãos celebram e anunciam conosco.

Por isso, a ascese católica sabe que fiéis e pregadores erram. Os do púlpito e os de perto dele, os do microfone e os da assembléia, os de traje especial e vistoso e o povo de traje de missa. Os famosos e os anônimos… Estar lá na frente não é sinal de santidade. Ser mais visto não é o mesmo que ser mais sensato.

Pensemos nisso da próxima vez que bater a tentação de nos acharmos especiais. Nossa missão talvez seja. Quanto a nó, cabe viver como quem sabe das suas responsabilidades. Perfeito? Só Deus. Nós já erramos ou ainda erraremos. Por isso comecemos bem nossas missas. Todas elas começam com o ato penitencial…Nem poderiam ser diferentes.

 Fonte: http://www.padrezezinhoscj.com/wallwp/archives/5253

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