"Conservar a unidade do espirito pelo vinculo da paz!"

A Renovação Carismática Católica apresenta o tema que direciona e une suas ações em 2014

Grupo de oracao Sao Miguel

Venha ter uma nova experiência com Deus e viver a cultura de Pentecostes. Te esperamos! Todas as quintas-feiras - 20h

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O Senhor nos chama a este tempo de real mudança de vida

Ministerio Shekinah

“Todos nós, porém, com o rosto descoberto, refletimos a Glória do Senhor!” 2 Cor 3,18

Questoes de Fe

Entenda um pouco mais a fé Católica, explicada de maneira clara e sucinta, em alguns dos temas mais usados nos ataques feitos pelos inimigos da Santa Igreja de Cristo

Archive for Abril 2012

O valor da caridade intelectual

A caridade cristã é muito apreciada em sua face material. As estatísticas falam por si, mesmo em países onde os cristãos são minoria. Onde chegam missionários e instituições religiosas, surgem hospitais, escolas, centros de acolhimento, universidades. Estas obras são bem visíveis e gozam de um alto reconhecimento.
Mas há outra face da caridade cristã, um pouco menos visível e, portanto, um pouco menos popular: a caridade intelectual, tão amada pelo papa Bento XVI. Este rosto da caridade é menos visível, porque fica escondido, é um fermento lento, um trabalho árduo, envolto em paciência e esperança, que espera o desabrochar e o crescer da flor da fé.

As duas faces do amor cristão, no entanto, são inseparáveis: a Madre Teresa, famosa em todo o mundo, inclusive junto a várias tradições religiosas pela sua "caridade material", costumava lembrar às irmãs: "Nós não somos assistentes sociais, somos esposas de Cristo". Com isto, a santa de Calcutá deixava claro que a caridade material não é a realidade última.

Reduzir o outro a uma mera boca a ser alimentada é diminuir a sua identidade e desconhecer a sua vocação. A verdadeira caridade, a realização prática do amor, é abrir as pessoas ao conhecimento do grande mistério: o amor do Pai pelo homem em Jesus Cristo. É permitir que cada pessoa diga com o mesmo sentir de um Paulo: "Ele me amou e se entregou por mim" (Gal 2,20). É ter a audácia de anunciar-lhes a vida eterna que Jesus resume assim: "Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo".

O conhecimento de que Jesus fala não é um mero conhecimento teórico, mas um conhecimento pessoal, que envolve as várias dimensões do homem. É o conhecimento que faz parte do primeiro mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda tua alma e com toda a tua mente" (Dt 6,5; Mt 22,37, Mc 12,30, Lc 10,27). Este amor é um casamento entre a caridade e a verdade. Daí a famosa fórmula paulina retomada por Bento XVI: "Charitas in veritate".
Querida leitora, querido leitor: nós, da Zenit, ouvimos o chamado a ser apóstolos da caridade, o chamado a trazer para os nossos irmãos e irmãs que vivem no areópago digital a Palavra de Deus, que ecoa ainda, viva e vivificante, na Igreja.

Acreditamos com o profeta que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Jo 3,5, Rm 10,13), mas nos perguntamos com Paulo: “Como poderão invocá-lo se não crerem nele? E como crerão se não ouvirem falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? "(Rm 10,14-15a). Cada um de nós sentiu no coração esta necessidade, e o amor de Cristo nos levou a dizer: "Aqui estou, envia-me!" (Is 6,8). Envia-me para anunciar o evangelho também no espaço digital, onde tantos irmãos e irmãs não morrem de fome de pão nem de sede de água, mas da falta da palavra do Senhor (Am 8,11).
Nesta missão, não estamos sozinhos. Sempre tivemos ao nosso lado milhares de leitores, a presença tangível da Providência do Senhor, que nos acompanhou durante todos estes anos, com muitas formas de apoio.

Fazemos votos de que a sua ajuda não seja apenas assistência social, mas uma contribuição para o anúncio da vida eterna, que é o conhecimento da verdadeira face do Pai em Jesus Cristo, confiado à Igreja como esposa que nasce do lado trespassado de Cristo, do qual comemoramos o mysterium paschale.
Tendo em conta as necessidades econômicas que enfrentamos na realização desta missão, não podemos escapar de pedir (às vezes com insistência) a sua contribuição em nossa campanha de doações para apoiar a agência.

Pense a respeito. Se puder, ajude-nos agora através de: http://www.zenit.org/portuguese/doacao.html

Contamos com você.
Um abraço!
Robert Cheaib,
Zenit - Edição Árabe

Retirado de: www.zenit.org/portuguese 

Quem sao os irmaos de Jesus?


Os cristãos protestantes costumam ensinar que Maria, Mãe de Jesus, teve outros filhos além de Nosso Senhor. Que o Verdadeiro Espírito Santo nos permita mostrar aos nossos irmãos separados a verdade sobre os "irmãos" do Senhor.

Jesus, o primogênito
No Evangelho de São Lucas lemos: "Maria deu à Luz o seu filho primogênito" (Lc 2,7). Aqui os protestantes enxergam indícios de que o Senhor foi somente o primeiro filho de Maria. Ora, a palavra "primogênito" só significa primeiro filho, podendo ele ser filho único ou não.
A própria Escritura Sagrada dá testemunho disto, vejamos:
"O Senhor disse a Moisés: "Faze o recenseamento de todos os primogênitos varões entre os israelitas, da idade de um mês para cima, e faze o levantamento dos seus nomes." (Num 3,40) (grifos meus).

Se para que seja primogênito é preciso que haja outros irmãos, como pode haver primogênitos "da idade de um mês para cima"?
Um outro exemplo está no livro do Êxodo: "e morrerá todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que deveria assentar-se no seu trono, até o primogênito do escravo que faz girar a mó, assim como todo primogênito dos animais." (Ex. 11,5).

E a promessa de Deus se cumpre, onde lemos: "Pelo meio da noite, o Senhor feriu todos os primogênitos no Egito, desde o primogênito do faraó, que devia assentar-se no trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. O faraó levantou-se durante a noite, assim como todos os seus servos e todos os egípcios e fez-se um grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto" (Ex. 12,29-30).
A própria tradição ensina que o Faraó só tinha um único filho. Desta forma, a palavra "primogênito" em Lc 2,7 não prova que o Senhor teve outros irmãos.

José "conheceu" Maria?
No Evangelho de São Mateus lemos: "José não conheceu Maria [não teve relações com ela] até que ela desse à luz um filho." (Mt 1,25).
Neste trecho os protestantes entendem que depois do parto, José "conheceu" Maria.
Quem entende o mínimo de exegese bíblia e cultura judaica, saberá que o Evangelho de Mateus é coberto de "aramaísmos", isto é, expressões típicas da língua aramaica e hebraica, que quando traduzidas para outra língua não possuem o mesmo significado.

A expressão "até que", "até" ou "enquanto" na linguagem bíblica, diz respeito somente ao passado. Para que isso fique mais claro vejamos outros exemplos na própria Escritura:
Ainda em Mateus, encontramos a promessa do Senhor à Igreja: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mt 28,20) (grifo meu). Será que o versículo quer dizer que após a consumação dos séculos, Jesus não estará mais com a Sua Igreja?
"Micol, filha de Saul, não teve filhos até ao dia de sua morte" (2 Sam 6,23) (grifo meu). O escritor sagrado quer dizer que depois de sua morte, Micol teve filhos?

Falando Deus a Jacó do alto da escada que este vira em sonhos, disse-lhe: "Não te abandonarei, enquanto não se cumprir tudo o que disse" (Gn 28,15) (grifo meu). Depois que se cumprir o que o Senhor disse, Ele então deveria abandonar Jacó?
Em Gênesis lemos: "[Noé] Soltou o corvo que foi e não voltou até que as águas secassem sobre a terra" (Gn 8,7) (grifos meus). Aqui não significa que o corvo voltou após as águas secarem, o que se quer é dar ênfase ao fato de que ele não voltou, mostrando que as águas finalmente secaram.
Desta forma, em Mt 1,15, não significa que depois do parto José deveria "conhecer" Maria. O Evangelista quer mostrar aqui o milagre da encarnação do Verbo, que aconteceu por obra do Espírito Santo, sem a intervenção do homem (cf. Is 7,14).

A palavra "irmãos" na Escritura Sagrada
Nossos irmãos protestantes alegam que em diversos lugares, o Evangelho fala dos "irmãos" de Jesus, como por exemplo: "estando Jesus a falar, disse-lhe alguém: eis que estão lá fora tua mãe e teus irmãos querem ver-te" (Mt 12, 46-47; Mc 3,31-32; Lc 8,19-20).

É importante dizer que nas Sagradas Letras, as palavras "irmão", "irmã", "irmãos" e "irmãs" podem denotar qualquer grau de parentesco. Isto porque, as línguas hebraica e aramaica não possuem palavras que traduzem o nosso "primo" ou "prima", e serve-se da palavra "irmão" ou "irmã". A palavra hebraica "ha", e a aramaica "aha", são empregadas para designar irmãos e irmã do mesmo pai, e não da mesma mãe (Gn 37, 16; 42,15; 43,5; 12,8-14; 39-15), sobrinhos, primos irmãos (1 Par 23,21), primos segundos (Lv 10,4) e até parentes em geral (Jó 19,13-14; 42,11). Existem muitos exemplos na Sagrada Escritura.

Observamos no Gênesis que "Taré gerou Abraão, Naor e Harã; e Harã gerou a Ló" (Gn 11,27). E Ló então era sobrinho de Abraão. Contudo no mesmo Gênesis, mais adiante Abraão chama a Ló de irmão (Gn 13,8).
Ainda em Gn 14,12, o Evangelho nos relata a prisão de Ló; e no versículo 14 observamos: "Ouvindo, pois Abraão que seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascido em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã".
Jacó se declara irmão de Labão, quando na verdade era filho de Rebeca, irmã de Labão (Gn 29,12-15).
Assim a qualificação de alguém pela palavra "irmão" ou "irmã" em relação ao Senhor, não significa necessariamente que fossem irmãos de fato. A única certeza que se pode ter neste caso é que eram parentes do Senhor.

A quem os Evangelhos chamam de "irmãos" do Senhor?
Os Evangelhos qualificam algumas pessoas como "irmãos" do Senhor. A primeira referência que encontramos está em São Mateus, onde lemos:
"Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?" (Mt 13,55).

Uma passagem correspondente encontramos em São Marcos:
"Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito" (Mc 6,3).

1. A importância da expressão "uiós Marias".
Interessante notar que São Marcos usa a expressão grega "uiós Marias", em português "o filho de Maria". Considerando Mateus e Lucas, observe o leitor que apenas o "o filho do carpinteiro" é chamado de "o filho de Maria" e não "um dos filhos de Maria". Isso pode não fazer muita diferença em português, mas em grego é muito significativo.

Primeiramente pelo fato da mulher ser a última das criaturas no mundo antigo, normalmente a filiação de alguém sempre referenciava o pai. Por exemplo: "o filho de Jonas", "o filho de Alfeu", etc. Mas São Marcos ao falar da filiação de Cristo, não aponta para José, mas para Santa Maria, utilizando uma expressão que normalmente só era usada para designar filhos únicos.

É claro que esta ocorrência incomum no Evangelho de Marcos não é sem propósito. O Evangelista que mostrar que Cristo era o único filho de Santa Maria.

2. A Carta de São Paulo aos Gálatas
Segundo nossos irmãos protestantes, os supostos irmãos de sangue de Jesus seriam: Tiago, José, Simão e Judas. É o que o eles afirmam lendo Mt 13,55 e Mc 6,3, confiando que estão sendo guiados pelo Espírito Santo. Dizem ainda que São Paulo confirma isto, pois na carta aos Gálatas ele escreve: "Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas [Pedro], e fiquei com ele quinze dias. E dos outros apóstolos [que estão em Jerusalém] não vi a nenhum, senão a Tiago, irmão do Senhor? (Gl 1,18-19).

Segundo a referência paulina acima, este Tiago, "irmão do Senhor", é de fato um Apóstolo.

Segundo as listas de Mateus, Marcos e Lucas, existiram dois apóstolos de nome Tiago. Vejamos:
"Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor" (Mt 10, 2-4) (grifos meus).

"Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador;  e Judas Iscariotes, que o entregou" (Mc 3,16-19) (grifos meus).
"Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador; Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor" (Lc 6,13-16) (grifos meus).
Conforme podemos observar, um Tiago era filho de Zebedeu e o outro filho de Alfeu. Agora eu pergunto aos meus irmãos protestantes: o que tem Zebedeu e Alfeu com Santa Maria, Mãe de Jesus"
Ora, é ponto pacífico entre todos os cristãos que Santa Maria só foi casada com São José, e que não se casou depois. Portanto, este Tiago, o qual São Paulo se refere em sua carta aos Gálatas não era irmão de sangue do Senhor Jesus; logo, as palavras do Apóstolo não dão suporte à tese protestante.

3. Distinguindo os Tiagos
Primeiro é preciso fazer uma distinção entre os dois "Tiagos" que foram apóstolos. O Tiago, filho de Alfeu (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15) era também chamado de "o menor", veja:
"E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago o menor e de José, e Salomé" (Mc 15,40) (grifos meus).

Este Tiago que era irmão de José, não é filho de Zebedeu conforme vemos em São Mateus:
"Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" (Mt 27,55-56) (grifos meus).

Como vemos acima, a Mãe de Tiago e José não é a mãe dos filhos de Zebedeu. Desta forma, o Tiago chamado "o menor" em Mc 15,40 era o filho de Alfeu. Com efeito, tanto São Marcos quanto São Lucas identificam este Tiago como irmão de José.

Podemos então distinguir os dois "Tiagos" assim: Tiago, o Maior, é filho de Zebedeu e Tiago, o Menor, é filho de Alfeu.

4. Os irmãos dos Tiagos
Na lista dos apóstolos de São Lucas, Judas era irmão do Tiago filho de Alfeu (cf. Lc 6,16), o que corrobora com o livro de Ato, onde encontramos:
"Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago" (At 1,13) (grifos meus).

Segundo São Mateus e São Marcos este Judas era também chamado Tadeu (cf. Mt 10,3; Mc 3,18).
Até aqui os filhos de Zebedeu são Tiago (o Maior) e João (cf. Mc 3,16; Mt 10,2). Os filhos de Alfeu são Tiago (o Menor), Judas Tadeu e José (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13).

5. Quem é o Tiago referido na carta aos Gálatas?
São Paulo chama um dos "Tiagos" de "irmão do Senhor" (cf. Gl 1,19). Vimos ele ou é um dos filhos de Zebedeu ou Alfeu, e não de José, portanto, não é irmão de sangue do Senhor Jesus.

Quem é este Tiago a quem o Santo Apóstolo se refere? O Maior (filho de Zebedeu e irmão de João) ou o Menor (filho de Alfeu e irmão de Judas)?

Em Atos lemos que o Tiago, irmão de João foi morto após perseguição de Herodes:
"Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João" (At 12,1-2) (grifos meus).

Isto aconteceu depois que São Paulo esteve em Jerusalém para ver os Apóstolos, pois o seu relato em Gl 1,18-19 é o mesmo evento narrado por São Lucas em Atos 9:
"Chegando a Jerusalém, [Paulo] tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo. Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus. Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor" (At 9, 26-28).

Assim, quando São Paulo esteve em Jerusalém para conhecer os apóstolos, os dois "Tiagos" estavam vivos, mas se prestarmos atenção na seqüência entre os capítulos 1 e 2 da carta aos Gálatas, veremos que o Tiago referido em Gl 2,9 parece ser o mesmo de Gl 1,19. O capítulo 2 da carta aos Gálatas se refere ao Concílio de Jerusalém, narrado em At 15, quando o Tiago, filho de Zebedeu já havia sido morto (cf. At 12,1-2).

Com efeito, Rufino ("Comentário ao Credo dos Apóstolos", 37) e Eusébio de Cesaréia ("História Eclesiástica", II,23), ambos historiadores da Igreja Antiga, registraram a Tradição Apostólica que identifica Tiago, autor da Epístola de Tiago, como irmão do Senhor. É sabido que o autor da Epístola a Tiago, é o Tiago filho de Alfeu, irmão de Judas Tadeu (cf. Jd 1,1), o autor da Epístola de Judas.

6. Identificando os "irmãos" de Jesus
Vimos que São Paulo dá testemunho da Tradição Apostólica de identificar Tiago, filho de Alfeu, como irmão do Senhor Jesus. Lembremos que este Tiago tem com irmãos Judas Tadeu e José.

Ora, exatamente os nomes Tiago, Judas e José que encabeçam a lista dos "irmãos" de Jesus na lista dos Evangelistas, lembremos:
"Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito" (Mc 6,3) (grifos meus).
"Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?" (Mt 13,55) (grifos meus).

7. Identificando a mãe dos "irmãos" de Jesus
Para ficar ainda mais claro que Tiago, José e Judas são primos de Jesus, vamos identificar mãe deles.
Os evangelistas relataram que além da Mãe de Jesus, outras mulheres estavam próximas ao calvário. 

Vejamos:
"Havia ali [no Calvário] também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" (Mt 27,55-56) (grifos meus).

Segundo São Mateus eram elas: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José e a mãe dos filhos de Zebedeu. Com efeito, Tiago e José que também são irmãos de Judas Tadeu tem por mãe uma Maria que não é a mãe do Senhor. Os filhos de Zebedeu são Tiago Maior e São João, cuja mãe também estava na cena da crucificação.

"E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago o menor e de José, e Salomé" (Mc 15,40).

São Marcos eram elas: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José que também são irmãos de Judas e Salomé. Em concordância com São Mateus, Salomé só pode ser a mãe dos filhos de Zebedeu, isto é, a mãe de Tiago Maior e São João. Novamente a Maria mãe de Tiago, Judas e José não é a Maria mãe de Jesus. Esta Maria tinha por marido Alfeu.

"Estavam junto à cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria [esposa] de Cleofas, e Maria de Mágdala" (Jo 19,25).

São João identifica Maria esposa de Cleofas como tia de Jesus, isto é, irmã de Santa Maria. Ora, sabemos que Tiago Maior e São João não são primos de Jesus, caso contrário seriam chamados "irmãos do Senhor"; assim, Salomé não é a Maria esposa de Cleofas.

Esta Maria, esposa de Cleofas, é a mãe de Tiago, José e Judas. Portanto, estes "irmãos" de Jesus, são na verdade seus primos, filhos de Maria, tia de Jesus.

Como na antiguidade os homens normalmente eram conhecidos por dois nomes, alguns acreditam que Cleofas é o outro nome de Alfeu. Outros sustentam a tese de que Cleofas é o marido de um segundo casamento de Maria, tia de Jesus. Com efeito, somente Tiago é referido como filho de Alfeu (ver item 2 deste artigo), enquanto se diz apenas que Judas e José são seus irmãos.

Sendo Alfeu e Cleofas, a mesma pessoa ou não, isso não oferece qualquer problema, pois de fato Tiago, Judas e José, são filhos de Maria, tia de Jesus; não importando se Tiago Menor é filho de Alfeu e Judas e José filhos de Cleofas.

8. Quem é Simão?
Em Mt 13,55 e Mc 6,3 encontramos o nome de Simão junto com os de Tiago, José e Judas.
Quando São Mateus e São Marcos elencam os apóstolos, sempre colocam o nome dos irmãos em seqüência. Ex: Pedro e André, Tiago Maior e João, etc.

Nestas mesmas listas, próximo aos nomes dos irmãos Tiago Menor e Judas Tadeu, os evangelistas citam um Simão: "Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu [...]" (Mt 10,3-4) e "[...] Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador" (Mc 3,18).

Com efeito, Eusébio de Cesaréia em sua "História Eclesiástica" registra que este Simão era primo do Senhor e filho de Cleofas:
"Após o martírio de Tiago [menor] e a destruição de Jerusalém, ocorrida logo depois, conta-se que os sobreviventes dos Apóstolos e discípulos do Senhor vindos de todas as partes se congregaram e com os consangüíneos do Senhor 'havia um grande número deles ainda vivos' reuniram-se em conselho para verificar quem julgariam digno de suceder a Tiago. Todos unanimemente consideraram idôneo para ocupar a sede desta Igreja Simeão, filho de Cléofas, de quem se faz memória no livro do Evangelho (Lc 24,18; Jô 19,25). Diz-se que era primo do Salvador. Efetivamente, Hegesipo [historiador antigo] declara que Cléofas era irmão de José" (HE III,11).

Conclusão
Os "irmãos" de Jesus são seus primos, filhos da irmã da Mãe do Senhor, cujo nome é também Maria; são eles Tiago, José, Judas Tadeu e Simão. Este é o testemunho da Sagrada Escritura e da Memória dos primeiros cristãos.

A ressurreicao do Senhor

O Tempo de Páscoa

A importância capital da Páscoa da Ressurreição, a magna festa da Cristandade, a mais antiga, e centro de todas as outras, solene, majestosa é pervadida de júbilo: "Esse é o dia que o Senhor fez, seja para nós dia de alegria e felicidade".(Sl.117,24) São Paulo, Apóstolo, ressaltará o valor desse grandioso acontecimento: : "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé" (1 Cor 15,14). Na liturgia, essa alegria é prolongada pela repetição da palavra "aleluia", pelo branco dos paramentos e pelos cânticos de exultação. Com razão dizia Tertuliano: - "Somai todas as solenidades dos gentios e não chegareis aos nossos cinqüenta dias de Páscoa".

Ora, entre os acontecimentos daqueles dias, há episódios que passam muitas vezes despercebidos; porém, bem analisados, revelam em toda a sua força o poder do amor.

Oração Preparatória: Ó Imaculado e Sapiencial Coração de Maria, nós Vos oferecemos esta meditação, em reparação a todas as ofensas que recebeis pelos pecados cometidos por toda a Humanidade. E concedei-nos o dom de participar do júbilo glorioso do Vosso Imaculado Coração, inundado de inefável consolação, no momento em que foi restituído à alegria pela triunfal Ressurreição de Jesus.
Amém.

As ressurreições ao longo dos tempos.

O profeta Elias operara a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, em casa de quem vivia (1Rs 17, 17-24). Mais tarde, o mesmo faria Eliseu com o filho de uma sunamita (2Rs 4, 17-37).

O próprio Salvador, tomado de pena ao encontrar o cadáver da filha de Jairo, ordenou às mulheres que não mais chorassem, pois a menina apenas dormia. Jesus conservou consigo somente os pais e três apóstolos e, tomando-a pela mão, disse-lhe: "Menina, eu te ordeno, levanta-te!". Ela se pôs de pé cheia de vida e de alegria. Maravilhados com o prodígio, os pais nem se deram conta de que a jovenzinha precisava se alimentar, e o próprio Mestre teve de lhes lembrar isto. (Mc 5, 35-43).

A compaixão de Jesus pelos sofrimentos humanos se manifestou novamente ao deparar Ele com um enterro, na cidade de Naim. Todos caminhavam consternados em extremo, pois falecera o filho de uma viúva, seu único sustento. O féretro encontrava-se cercado por gente desfeita em pranto. As misericordiosas entranhas de Nosso Senhor se comoveram: "Não chores", diz Ele à pobre mãe. E, colocando sua onipotência divina a serviço de sua bondade infinita, diz: "Moço, eu te ordeno, levanta-te!" Obedecendo à solene voz do Criador, começou a falar aquele que havia pouco ainda era defunto. Jesus tomou-o pela mão e o entregou a sua mãe (Lc 7, 11-16 ).

I - Os sentimentos fortes e harmônicos do Coração de Jesus

A mais impressionante de todas as ressurreições operadas por Jesus foi, sem dúvida, a de Lázaro. Maria, irmã do morto, advertiu o Mestre de que o cadáver já estava em decomposição, pois recebera o ósculo da morte quatro dias antes. Entretanto, apesar de saber Jesus que o milagre a ser efetuado aguçaria a inveja dos fariseus e, assim, apressaria sua própria morte, Ele ansiava ardentemente cumprir os desígnios do Pai. No Sagrado Coração de Jesus encontram-se, então, dois fortes sentimentos harmônicos: a compaixão por seu amigo Lázaro e pelas irmãs dele, e a pressa em realizar a finalidade de sua Encarnação.

Manda que se remova a lápide da entrada do túmulo. Um repugnante odor se espalha entre os presentes. Uma voz possante e onipotente ordena: "Lázaro, vém para fora!" À boca do túmulo cavado na pedra, um cadáver revivescido apresenta-se com dificuldade, com vendas por todo o corpo. Uma nova determinação; diz Nosso Senhor: "Desatai-o e deixai-o ir", com divina serenidade. Era a mesma voz à qual os ventos e os mares obedeciam ... (Jo 11, 38-44).

Ao longo da Era cristã haverá outras ressurreições: São Pedro fará retornar à vida Tabita (At 9, 36-46); São Paulo, com um abraço, reerguerá da morte o jovem Êutico (At.20,9-12); São Bento devolverá com saúde, a um camponês, o filho, cujo corpo inerte havia sido posto à porta do mosteiro.

Contudo, se numerosas foram as ressurreições ao longo dos tempos, no que a Ressurreição de Cristo se distingue das demais ? (1)

II - A maior prova da divindade.

"Tenho o poder para entregar a minha vida, bem como para a reassumir" (Jo 10,18)

Nunca ninguém profetizou seu próprio retorno à vida terrena. Menos ainda, aconteceu de alguém operar por seu próprio poder esse milagre tão acima da natureza criada. Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou, porque não era apenas homem, mas também Deus.

A morte de Cristo consistiu na separação da alma e do corpo, como na morte dos outros seres humanos. Mas a divindade estava de tal modo ligada ao homem Cristo, que, apesar da alma e do corpo terem se separado, a própria divindade sempre esteve unida ao corpo e à alma de um modo perfeitíssimo. É necessário, pois, que creiamos não apenas que Ele se fez homem e que morreu para nossa Redenção, bem como que ressurgiu dos mortos.

São Tomás de Aquino completa: ...e a divindade do Verbo jamais se separou nem da sua alma, nem do seu corpo. Por isso, o corpo reassumia a alma e o corpo, quando queria!

Quando professamos a nossa fé, rezando no Credo, ressuscitou ... e não, foi ressuscitado, como se o fosse por outro, é porque Jesus Cristo por sua própria força entregou a alma, reassumindo-a também, por força própria! Então, podemos ler nos Salmo 3, 6...."adormeci, e estive sepultado no sono e levantei-me".

Outra diferença ainda entre a Ressurreição de Cristo e a dos outros, é devido ao tipo de vida para a qual o morto ressuscitou. Quando Lázaro, por exemplo, foi ressuscitado, retornou para a mesma vida de antes - vida terrena e corruptível -,ao passo que Cristo ressuscitou para vida gloriosa e incorruptível. (2)

Ao contemplarmos com júbilo o triunfo de Jesus Cristo ressuscitado, juntemo-nos à Nossa Senhora, aos Apóstolos, aos Anjos,com toda a Igreja transbordando de alegria Pascal...

Oração: Ó Senhor Jesus que na verdade ressuscitastes; é certíssimo que sois o Deus todo-poderoso, pois um homem morto não pode ressuscitar-se; e que só Deus, que dispõe da vida e da morte, é capaz de semelhante prodígio. Vossa Ressurreição gloriosa garante a nossa fé, porque se Jesus é Deus, divina é a Sua Religião, divino é o Evangelho, divina é a Igreja que fundou sobre a rocha de São Pedro. Seguindo a luz de minha fé, guia infalível, fazendo os sacrifícios que ela me pede, sei que é nada disso em vão, porque "Jesus Cristo, minha esperança, ressuscitou! Aleluia!"(3)

Ó Coração de Maria, restituído à alegria pela Ressurreição de Jesus! Rogai por nós !

por Monsenhor João Clá Dias, EP

Referências:
(1) Revista Arautos do Evangelho - Mons. João Clá Dias, nº 4 - abril 2002 págs. 13-17
(2) Exposição sobre o Credo - Santo Tomás de Aquino- Ed. Loyola, 2a.edição, págs.54-55
(3) Meditações - M.Hamon , Lello & Irmãos Editores- Porto, Tomo II, págs. 250-251


 Fonte: http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=5549

Fotos - GO Sao Miguel na doacao de sangue

No último dia 04 de abril, quarta-feira da semana santa, um grupo de membros do GO São Miguel se mobilizou e dirigiu-se ao hemocentro em Porto Alegre para juntos doarem sangue para abastecimento do estoque do centro.











Fica o convite a todos que puderem colaborar com os estoques de sangue dos nossos hemocentros, pois a dificuldade de mantê-los é imensa devido a falta de doadores.
O GO São Miguel já tem novas visitas para doação ao hemocentro agendadas, caso você deseje participar conosco nos contate e iremos todos juntos doar um pouco de nós ao próximo.

Que Deus abençoe

GO São Miguel

Supremo Tribunal Federal vota contra a vida e legaliza o aborto dos anencefalos no Brasil

BRASILIA, 12 Abr. 12 / 09:33 pm (ACI)

Em uma votação que terminou com 8 votos a favor e apenas 2 contra, o Supremo Tribunal Federal (STF) legalizou na noite desta quinta-feira, 12, o aborto dos bebês que forem diagnosticados com anencefalia durante a gestação se este for o desejo da gestante. O julgamento foi controverso pela natureza do tema, mas também pelo fato de que alguns líderes pró-vida tenham destacado que o Supremo atuou em um campo que, na verdade, compete ao Congresso Nacional.

Esta é a opinião do coordenador do Movimento Legislação e Vida, jornalista e perito em bioética, Prof. Hermes Rodrigues Nery. Segundo ele o julgamento da ADPF-54 (recurso que legalizou o aborto dos anencefálicos) o STF praticou “ativismo judicial”, decidindo “o que não é da sua competência, mas prerrogativa do Congresso Nacional”, que reúne os representantes eleitos pelo povo brasileiro, que segundo recentes pesquisas é majoritariamente (mais de 70%) contrário ao aborto.

“Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, e também não representam uma concessão da sociedade e do Estado, pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa em razão do ato criador do qual esta se origina”, afirmou o Prof. Rodrigues Nery em um artigo enviado a ACI Digital dias antes da votação.

Os votos a favor do aborto foram proferidos pelos ministros Marco Aurélio Mello (relator da ADPF 54 e que poderia sofrer o impeachment caso o Senador José Sarney acolha o pedido da bancada pró-vida do congresso), as ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia, seguidas de Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

Apenas os ministros Ricardo Lewandowski e o presidente do STF Cezar Peluzo votaram a favor da vida.
O ministro Dias Toffoli se declarou impedido de votar, pois quando atuou como Advogado Geral da União, manifestou-se favorável ao aborto legal dos anencéfalos.

O presidente do STF começou seu discurso dizendo: “Este é o mais importante julgamento na história desta Corte, porque nela se tenta definir no fundo o alcance constitucional do conceito de vida e da sua tutela normativa”.

“O feto anencefalo tem vida e, ainda que breve, sua vida é constitucionalmente protegida”, defendeu o ministro.

“Ser humano é sujeito, embora não tenha ainda personalidade civil, o nascituro é anencéfalo ou não investido pelo ordenamento na garantia expressa, ainda que em termos gerais, de ter resguardados seus direitos, ente os quais se encontra a proteção da vida”.

“Não digo que isto envolva conceitos religiosos. Envolve mais do que isso. A formação cultural, o modo de ver, de ser, de cada magistrado e de cada homem e mulher que está atrás de cada toga”, explicitou o presidente do STF.

Para o ministro, o argumento de que a gestação de anencéfalo seria mais perigosa para a mãe que uma gravidez de um feto saudável "não vem ao caso, porque as hipóteses de risco a saúde da mãe já estão expressas na lei". "Toda gravidez implica risco teórico à saúde da gestante", explicou.

Cezar Peluzo citou o caso da anencéfala Marcela de Jesus Ferreira que viveu durante um ano, oito meses e 12 dias como prova de que os anencéfalos não são natimortos, como argumentaram alguns dos ministros que votaram a favor do aborto.

“Todos os fetos anencéfalos, a não ser que estejam mortos, têm vida. Se o feto não tivesse vivo, não poderia morrer”, argumentou Cezar Peluzo.

Assim, o próprio presidente do STF admitiu que “o aborto provocado de feto anencéfalo é conduta vedada, de modo frontal, pela ordem jurídica”, e reconheceu que “esta Corte não tem poder ou competência para abolir ou atenuar o crime de aborto”.

Segundo explicou o portal de notícias G1 do grupo Globo, “a decisão, que passa a valer após a publicação no "Diário de Justiça", não considerou a sugestão de alguns ministros para que fosse recomendado ao Ministério da Saúde e ao Conselho Federal de Medicina que adotassem medidas para viabilizar o aborto nos casos de anencefalia. Também foram desconsideradas as propostas de incluir, no entendimento do Supremo, regras para a implementação da decisão”.
O voto do ministro Peluzo foi aplaudido pelo jornalista Católico Reinaldo de Azevedo que afirmou em seu blog na página da Revista Veja que “Peluzo está dizendo o óbvio, que deveria ser fundamento do humanismo: a vida humana não pode ser relativizada. É um valor “fundante e inegociável”!”, argumentou o blogger da veja que afirmou também: “Estou me sentindo plenamente representado pelo voto de Cezar Peluzo”. “Parabéns, ministro Peluzo!”, finalizou Reinaldo de Azevedo.

Reinaldo afirmou também que em breve publicará o texto do voto do ministro no seu blog apenas o obtenha na íntegra para que o texto permaneça “como uma luz em favor da vida humana”.


Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23465

CNBB lamenta profundamente decisão do STF

Parabenize os ministros pró-vida: o blog Voto Católico sugere uma iniciativa justa de agradecimento aos ministros Lewandowski e Peluso pelo seu corajoso voto pró-vida!









Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”
Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.
Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.

Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!

A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe. Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção

Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.

A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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Fonte: http://cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/9040-qlegalizar-o-aborto-de-fetos-com-anencefalia-erroneamente-diagnosticados-como-mortos-cerebrais-e-descartar-um-ser-humano-fragil-e-indefesoq-afirma-nota-da-cnbb

William Lane Craig, filosofo e apologista cristao: "O debate sobre ciencia e fe precisa cada vez mais da Filosofia"

Uma palestra na noite de hoje, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, marca o início da agenda do filósofo e apologista cristão William Lane Craig no Brasil. Craig é muito conhecido por seus livros e, especialmente, por seus debates com nomes importantes do ateísmo militante (e também pelos debates que não ocorreram, como a ocasião recente em que Richard Dawkins recusou um convite). Na manhã de hoje, de seu hotel em São Paulo, Craig conversou com o Tubo de Ensaio por alguns minutos, por telefone, e defendeu que os filósofos sejam mais ativos nos debates sobre a relação entre ciência e religião.


Divulgação / William Lane Craig está no Brasil pela primeira vez, e fará palestras nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.William Lane Craig está no Brasil pela primeira vez, e fará palestras nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Por muitos séculos a relação entre ciência e fé foi vista como harmônica, mas hoje o discurso dominante é o do antagonismo. Como isso ocorreu?
Estamos vendo o resultado de um esforço deliberado, iniciado no fim do século 19, de reescrever a história de ciência de acordo com esse modelo de conflito. Até aquela época, o relacionamento entre ciência e teologia era descrito como uma aliança; os melhores cientistas eram cristãos. Mas, entre o fim do século 19 e o início do século 20, houve um forte esforço para reescrever a história da ciência de modo que ela mostrasse a existência de um antagonismo histórico. Nesse sentido, Andrew Dickson White criou o paradigma deste modelo de conflito com seu livro Uma história da guerra entre a ciência e a tecnologia na Cristandade. Hoje, os historiadores da ciência veem essa obra como uma piada, uma peça de propaganda; os que realmente conhecem a história sabem que o conflito não é uma representação adequada do relacionamento histórico entre ciência e religião. É verdade que essa noção de antagonismo persiste na cultura popular, mas não é mais presente no trabalho acadêmico, nem na Teologia, nem na história da ciência. Neste século 21 estamos no limiar de uma era de mais abertura, por parte da ciência, à possibilidade um criador e designer do universo. É uma abertura que não tem precedentes nas últimas décadas.
Se na academia a percepção já é outra, por que na cultura popular o discurso do conflito ainda persiste? E como trazer para o público em geral aquilo que já está espalhado entre os especialistas?
Sempre existe uma defasagem entre o que ocorre na academia e o que chega à cultura popular. Obviamente é um processo que leva tempo. É necessário haver popularizadores: pessoas que escrevam livros e artigos de jornal direcionados ao público em geral, aos que não têm formação nem em ciência, nem em Teologia, para explicar o diálogo entre ciência e religião que está havendo na academia. Os ateus militantes fazem isso muito bem; cientistas como Richard Dawkins e Lawrence Krauss escrevem e vendem livros que são populares e defendem o ateísmo. Precisamos que gente que seja igualmente bem-sucedida nesse trabalho, mas defendendo a harmonia entre ciência e fé.

Quem seriam hoje esses "popularizadores" da harmonia entre ciência e fé?
John Polkinghorne é um ótimo exemplo, pois ele é físico quântico e também clérigo anglicano, tendo escrito uma série de livros sobre ciência e religião. Outro muito conhecido é Francis Collins, chefe do Projeto Genoma, um biólogo cujas obras também são dirigidas para o público em geral. Alister McGrath é um teólogo que também tem formação em Química, mas escreve mais do ponto de vista teológico. Esses três são mais conhecidos, mas eu também queria destacar o cosmólogo Alexander Vilenkin, da Tufts University. Ele não é cristão; se não me engano, é agnóstico. Seu trabalho de popularização da ciência é muito bom e não tem o preconceito antirreligioso que observamos em outros autores como os já mencionados Dawkins e Krauss.

Algum deles teria o potencial para se tornar um "ícone pop" como foi Carl Sagan?
Sagan teve a grande vantagem de fazer a série Cosmos, que fez dele extremamente popular; ele usava muito bem os meios de comunicação. Entre as vozes que defendem a harmonia entre ciência e fé, não vejo ninguém fazendo algo na escala de Sagan. Esse tipo de presença exige uma pessoa que não apenas seja um expert na área, mas também saiba aparecer na mídia muito bem.

Já que falamos dos meios de comunicação, qual sua avaliação da maneira como a imprensa vem retratando as questões sobre as quais estamos conversando aqui?
A maneira como a mídia popular lida com a popularização da ciência é bem frustrante para mim. Ela segue um roteiro previsível na hora de mostrar a ciência moderna: tenta empurrar interpretações da ciência que são radicais, contrárias ao bom senso e altamente especulativas, em vez de se apoiar nas descobertas sólidas da ciência moderna. O que eu vejo é um esforço deliberado de fazer a ciência moderna parecer metafísica, o que leva a uma abordagem sensacionalista. Isso normalmente é feito com uma série de expressões metafóricas que não ajudam no bom entendimento dos assuntos científicos; chega a ser cansativo. Eu até entendo por que os veículos de comunicação agem assim, já que é da natureza da imprensa buscar o extraordinário, o extremo, o que desafia as concepções arraigadas, porque é o que atrai interesse. Mas não acho que isso ajude a entender o que a ciência moderna realmente diz sobre o mundo.

Como estará a discussão sobre ciência e religião em cinco, ou dez anos?
Não creio que teremos mudanças radicais no caminho que estamos trilhando. Agora cientistas, filósofos e teólogos têm um diálogo saudável em que uns estão abertos ao que os outros oferecem, mas espero que a discussão envolva mais os filósofos. Agora estamos começando a perceber que as áreas que se sobrepõem no diálogo entre ciência e religião estão muito ligadas à Filosofia; como nem teólogos, nem cientistas são muito treinados nesse campo, o diálogo tem interferências porque está ocorrendo entre pessoas que, em geral, são "filosoficamente ingênuas". Um diálogo realmente frutuoso precisa envolver mais filósofos, especialmente os que conheçam filosofia da ciência e a metafísica teológica. Os filósofos serão os mediadores entre as ciências e os teólogos – é um "triálogo", não um diálogo.

Na América Latina em geral, as questões bioéticas normalmente são mais relevantes que o debate sobre as origens do universo ou do homem...
O que eu acabei de dizer sobre a importância da Filosofia se aplica aqui também. A ciência é eticamente neutra, não tem nada a dizer sobre o que bom, mau, certo ou errado. Você não acha valores num tubo de ensaio. Assim, em questões bioéticas é necessário trazer pessoal da Ética, que é justamente uma área da Filosofia. A ciência proporciona a informação – por exemplo, sobre o status biológico do embrião ou do feto; mas não podemos buscar nela valores éticos. Aí precisamos da Filosofia e da Teologia para nos guiar em relação ao que é eticamente permissível. Sem isso caímos no utilitarismo, na ideia de que o tecnicamente viável é moralmente permissível, o que é absurdo, sem justificativa; foi o que levou ao nazismo, o mesmo tipo de raciocínio que justificou a engenharia genética para criar uma super-raça e se livrar dos indesejados e exterminá-los, já que era tecnicamente possível. As pessoas mais sensatas percebem que isso é altamente antiético.


Divulgação / Segundo Craig, muitos dos temas de intersecção entre ciência e fé estão no domínio da Filosofia.Segundo Craig, muitos dos temas de intersecção entre ciência e fé estão no domínio da Filosofia.
Muitos conhecem suas críticas à teoria da evolução...
Vamos colocar desta maneira: não é que eu seja crítico; eu digo que tenho uma atitude cética em relação a certos aspectos da evolução, porque me parece que eles são motivados mais por pressuposições filosóficas que pela evidência física. Por isso ela não me convence – mas isso não significa que eu não esteja aberto à possibilidade.

Então vamos supor, por um minuto, que a teoria da evolução seja totalmente verdadeira; em ocasiões anteriores, o senhor afirmou que ela não ameaçaria o Cristianismo, ou a crença religiosa. Por quê?
Porque o Deus transcendente que é o criador e o designer do universo poderia muito bem ter determinado o comportamento da natureza e as condições iniciais no Big Bang que levassem ao eventual surgimento de vida inteligente no universo, e não existe motivo para pensar que Ele não pudesse ter feito dessa forma.

E qual a sua avaliação sobre o criacionismo de Terra jovem?
Infelizmente os criacionistas acabam fazendo as pessoas se tornarem mais céticas em relação à religião que em relação à ciência. Se eles tiverem sucesso em mostrar que existe conflito entre o Cristianismo bíblico e a ciência moderna, a reação da cultura popular é descartar o Cristianismo bíblico, não a ciência moderna. Isso será muito contraproducente, já que que esse conflito é ilusório. A melhor estratégia em relação a esse grupo é desacreditar não sua ciência, mas suas crenças religiosas, por exemplo a leitura 100% literal da Bíblia.

Se pensarmos no ateísmo militante e nos criacionistas, qual dos extremos deveria ser considerado mais preocupante?
A maior ameaça vem da filosofia do naturalismo científico; ainda vivemos à sombra do Iluminismo, em que o único árbitro da verdade e fonte do conhecimento é a ciência natural, e por isso algo que não pode ser provado não existe ou não é verdadeiro. Essa filosofia permeia a cultura ocidental moderna. 

Qual a sua opinião sobre as recentes tentativas de Stephen Hawking e Lawrence Krauss de demonstrar que o universo surgiu do nada, sem a necessidade de um criador?
É lamentável que estes cientistas tenham representado tão mal a ciência moderna para o público em geral. Se uma pessoa religiosa fizesse isso, seria acusada de distorção, mas com os cientistas isso passa batido. Quando esses homens usam o termo "nada", usam de forma equivocada, em vez de empregar o significado de "não ser". Se me perguntam o que tenho na geladeira, e eu respondo "nada", não significa que existe algo na geladeira, e esse algo seja o nada. Quero dizer é que não há nada. Se você me pergunta o que comi no almoço e respondo "nada", você não me pergunta "e que gosto tem?" (risos). Seria ridículo. Mas esses homens usam o termo "nada" para se referir a algo. O vácuo quântico, um espaço vazio preenchido com energia, é algo, é uma realidade física com propriedades físicas, bem como um certo estado do universo em que as concepções clássicas de espaço e tempo ainda não se aplicam. Krauss chega a dizer que há diferentes tipos de "nada", o que já indica que ele está usando o termo de forma equivocada. O nada não tem nenhuma propriedade, é ridículo falar em diferentes tipos de nada. Isso é uma grotesca distorção da linguagem, uma representação errada da ciência moderna em uma tentativa de convencer leigos de que a ciência pode explicar a origem última do universo.

Eles agem assim por ignorância filosófica ou estão deliberadamente distorcendo o conceito?
Cientistas como Hawking e Krauss não são treinados em Filosofia e são bem ingênuos nesse campo. Eles não entendem as implicações metafísicas do que dizem e caem em uma armadilha criada por suas próprias palavras. Hawking, no começo de seu livro The grand design, diz que a Filosofia está morta e que ela não acompanhou os desenvolvimentos da ciência moderna; agora, cabe aos cientistas conduzir a luz do conhecimento. Essa, por si só, é uma afirmação filosófica – e o resto do livro vai fazendo uma afirmação filosófica após outra. Hawking faz filosofia em vez de ciência e não percebe.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/tubodeensaio/

Bebes anencefalicos podem ser abortados?

Por Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arquidiocese de São Paulo
 
O tema representa um sério desafio atual, a ser abordado com serenidade e objetividade, tendo em conta critérios antropológicos e éticos gerais, e também os referenciais do ordenamento jurídico brasileiro, a começar da própria Constituição Nacional. O Supremo Tribunal Federal deverá pronunciar-se sobre a “legalidade” do abortamento de fetos, ou bebês acometidos por essa grave deficiência, que não lhes permitirá viver por muito tempo fora do seio materno, se chegarem a nascer.
 
A partir da minha missão de bispo da Igreja e cidadão brasileiro, sinto-me no dever de manifestar minha posição e de dizer uma palavra que possa ajudar no discernimento diante da questão. A decisão tem evidentes implicações éticas e morais; desejo concentrar minha reflexão sobre alguns desafios muito específicos, que se referem à dignidade da pessoa e da vida humana.
Em relação aos anencéfalos, existe o pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde para que o Supremo Tribunal Federal reconheça e estabeleça a legalidade da “antecipação terapêutica do parto” desses bebês, com forte pressão de grupos favoráveis ao aborto. No calor de muita emoção, podem não ser adequadamente percebidos os examinados argumentos falaciosos, que acabam por se tornar decisivos.
 
A menina Vitória de Cristo com seus pais visitam a Câmara dos Deputados na véspera do julgamento no STF

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os principais argumentos alegados a favor do aborto, nesse caso, são os seguintes:
a )  Tratar-se-ia de “vidas inviáveis” fora do útero materno; uma vez que os anencéfalos não sobrevivem por muito tempo fora do seio materno, para que manter semelhante gravidez e levá-la até o fim?
 
 
 
 
  1. A gravidez de um anencéfalo representaria, para a mãe, um sofrimento insuportável, uma verdadeira “tortura”, que degradaria a dignidade da mulher;
     
  2. Tratando-se de uma “anomalia”, o ser daí resultante seria indefinível, um “não-ser”, um “não-humano”; portanto, em relação a ele não entrariam em questão os argumentos do respeito à vida e à  dignidade humana;
     
  3. Toda a atenção deveria ser dada à mãe, nesses casos, o único sujeito de direitos e de dignidade, a ser tutelado e protegido pela lei;
     
  4. Os bebês anencéfalos seriam “natimortos”, pois a ausência parcial ou total do cérebro equivaleria à morte cerebral; para que manter tal gravidez? Por isso mesmo, os bebês acometidos por essa anomalia,  que chegam a nascer, podem ser colocados na mesma condição dos adultos que estão com “morte cerebral” e seus órgãos poderiam ser retirados e doados.
     
  5. O Brasil é um dos países que têm a maior incidência de anencefalia; seria necessário baixar este triste quadro.
Como se pode perceber facilmente, esses argumentos mereceriam ser examinados profundamente por peritos da área médica, do direito e da ética. De qualquer modo, as implicações morais são graves e não podem ser simplesmente resolvidas na emoção de um debate na opinião pública, ou a partir dos resultados de pesquisas de opinião, o que pode ser uma fácil tentação.




Os principais argumentos empregados pela CNBB são os seguintes:
  1. O anencéfalo, malgrado a sua condição, é um ser humano vivo; por isso, ele merece todo o respeito devido a qualquer ser humano; ainda mais, por se tratar de um ser humano extremamente fragilizado; a sociedade, por meio de suas Instituições, deve tutelar o respeito pleno à sua frágil vida e à sua dignidade.
  2. O sofrimento da mãe é compreensível e deve ser levado plenamente a sério; mas não pode ser argumento suficiente para suprimir a vida de um bebê com anomalia. Se o sofrimento da mãe, ainda que grande, fosse considerado argumento válido para provocar um aborto, estaria sendo aprovado o princípio segundo o qual pode ser tirada a vida de um ser humano que causa sofrimento grave a um outro ser humano. Não só em caso de aborto...
     
  3. O sofrimento da mãe, que é pessoa adulta, pode e deve ser mitigado de muitas maneiras, quer pela medicina, pela psicologia, pela religião e pela solidariedade social; além disso, trata-se de um sofrimento circunscrito no tempo, que pode mesmo dignificar a mulher que o aceita, em vista do filho; mas a vida de um bebê, uma vez suprimida, não pode ser recuperada; e o sofrimento moral decorrente de um aborto provocado pode durar uma vida inteira. Além do mais, o sofrimento da mãe e o respeito à vida e à dignidade do filho são duas realidades de grandezas e pesos muito diversos e não podem ser, simplesmente, colocados no mesmo nível; o benefício do alívio de um sofrimento não pode ser equiparado ao dano de uma vida humana suprimida.
     
  4. É preconceituoso e fora de propósito afirmar que a dignidade da mãe é aviltada pela geração de um filho com anomalia; tal argumentação pode suscitar, ou aprofundar um preconceito cultural contra mulheres que geram um filho com alguma anomalia ou deficiência; isso sim, seria uma verdadeira agressão à dignidade da mulher.
     
  5. O valor da vida humana não decorre da duração dessa mesma vida, ou do grau de satisfação que ela possa trazer aos outros, ou a ela própria. O ser humano é respeitável sempre, por ele mesmo; por isso, sua dignidade e seu direito à vida é intocável.
     
  6. O cerne de toda a questão está nisso: os anencéfalos são “seres humanos”? São “seres humanos vivos”? Apesar dos argumentos contrários, não há como colocar em dúvida a resposta afirmativa às duas perguntas. Portanto, daí decorre, como conseqüência, que ele deve ser tratado como “ser humano vivo”.
     
  7. Permanece, de toda maneira, válido que só Deus é senhor da vida e não cabe ao homem eliminar seu semelhante, dando-lhe a morte; nem mesmo aqueles seres humanos que não satisfazem aos padrões estéticos, culturais, ou de “qualidade de vida” estabelecidos pela sociedade ou pelas ideologias. A vida humana deve ser acolhida, sem pré-condições; não somos nós que damos origem a ela, mas ela é sempre um dom gratuito. Não é belo, não é digno, não é ético, diante da vida humana frágil, fazer recurso à violência, ou valer-se do poder dos fortes e  saudáveis para dar-lhe o fim, negando-lhe aquele pouco de vida que a natureza lhe concedeu. Digno da condição humana, nesses casos, é desdobrar-se em cuidados e dar largas à solidariedade e à compaixão, para acolhê-la e tratá-la com cuidado, até que seu fim natural aconteça.
Arcebispo de São Paulo
 
Fonte:  http://sentircomaigreja.blogspot.com.br/

Padre, use batina: a ciencia recomenda!

Nos últimos dias vários blogs católicos promoveram uma campanha em defesa do padre Paulo Ricardo, muito conhecido por sua atuação midiática, seus vídeos sobre temas diversos (especialmente o marxismo cultural) e suas participações na Canção Nova. Ele foi atacado em uma carta aberta por 27 outros padres, que o caluniaram das mais diversas formas; uma das "acusações" foi a de que o padre insistia na importância do uso da batina (por mais que padres e até bispos adorem andar disfarçados de leigos por aí, as regras da Igreja Católica obrigam o sacerdote a usar batina ou pelo menos o clergyman, aquele colarinho próprio dos padres).

O argumento dos fãs do disfarce é o velho ditado "o hábito não faz o monge", segundo o qual é perfeitamente possível ser um bom padre sem usar o traje clerical, e que a batina por si só não impede um padre de cometer barbaridades (aliás, concordo com o segundo ponto e discordo do primeiro). O mesmo raciocínio se aplicaria ao hábito das ordens religiosas masculinas e femininas. Mas uma pesquisa de Hajo Adam e Adam Galinsky, da Northwestern University, publicada no Journal of Experimental Social Psychology, parece dar razão ao padre Paulo Ricardo: o traje faz diferença, sim.

Luca Cinacchio/stock.xchng / Não basta ser líder religioso: é preciso se vestir como um.Não basta ser líder religioso: é preciso se vestir como um.

A pesquisa avaliou o impacto do traje não na maneira como quem o veste é percebido pelos outros, mas no modo como a pessoa percebe a si mesma quando está usando a roupa característica de sua função. Uma reportagem de Tom Jacobs destrincha a pesquisa mostrando como os participantes da experiência (estudantes de graduação, pelo que entendi) melhoraram seus resultados em testes que exigiam atenção e cuidado quando vestiam jaleco do tipo usado por médicos ou em laboratórios. Para comparar, outros estudantes também estavam com o mesmíssimo uniforme, mas foram informados de que se tratava de jalecos do tipo usado por artistas quando estão pintando. Esse grupo não apresentou nenhuma melhora nos resultados dos testes. "Parece haver algo especial sobre a experiência física de vestir certa peça de roupa", escreveram os pesquisadores.

E onde entram as roupas usadas por líderes religiosos (e aí não estamos falando só da batina dos padres ou do hábito de frades, monges e freiras)? Galisnky e Adam fizeram um comentário no site Science and religion today explicando que o resultado de sua pesquisa também poderia ser aplicado aos trajes dos clérigos, e que seu uso seria importante "não apenas pela impressão que [o traje] causa nos outros, mas também pela influência que a vestimenta tem sobre os próprios líderes", já que a roupa "pode exercer influência sobre o modo como quem a usa sente, pensa e se comporta, através do significado simbólico associado a ela". Assim como uma toga significa justiça, um terno caro significa poder e um jaleco de laboratório significa atenção e foco científico, o traje clerical é associado a "fé, dedicação e ao compromisso de liderança responsável na comunidade religiosa", e o líder religioso "pode exercer suas tarefas e inspirar seguidores de forma mais efetiva quando usa esse tipo de vestimenta". É importante ressaltar que o traje não impede nenhum líder religioso de agir mal; mas, pelo que Galinsky e Adam concluem, a roupa tem, sim, um efeito sobre quem a usa. Parece que o padre Paulo Ricardo ganhou um argumento científico para seu esforço pelo uso da batina.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/tubodeensaio/

Contagem regressiva! Encontro Mundial de Jovens

Não foi uma brincadeira de 1º de abril. Neste domingo, começamos uma contagem regressiva especial: já estamos a menos de 100 dias para Encontro Mundial de Jovens da Renovação Carismática Católica!

Participe conosco dessa contagem regressiva para o nosso maior evento do ano. Vamos aderir esta idéia e a cada dia prepararmos mais os nossos corações!

Muitos estão se empenhando e unindo esforços para participar desta grande festa carismática, que o Brasil tem a alegria de receber. Para marcar ainda mais esse clima de expectativa, a organização do evento lançou o novo site do Encontro (clique aqui para acessar). 

Agora chegou a hora de intensificar esses preparativos: fazer a inscrição, comprar passagens, correr atrás! Só não dá para perder a chance de viver essa experiência!

O Domingo de ramos

A Semana Santa começa no domingo chamado de Ramos porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho - o símbolo da humildade - e aclamado pelo povo simples que o aplaudia como "Aquele que vem em nome do Senhor".

Esse povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia há poucos dias e estava maravilhado. Ele tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos Profetas; mas esse povo tinha se enganado no tipo de Messias que ele era. Pensavam que fosse um Messias político, libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.

Para deixar claro a este povo que ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande libertador do pecado, a raiz de todos os males, então, Ele entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho; expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo!

Dessa forma o Domingo de Ramos é o início da Semana que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a vitória: "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas".

Os Ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja, defensores da fé católica, especialmente nestes tempos difíceis em que ela é desvalorizada e espezinhada.

Os Ramos sagrados que levamos para nossas casas após a Missa, lembram-nos que estamos unidos a Cristo na mesma luta pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.

O sentido da Procissão de Ramos é mostrar essa peregrinação sobre a terra que cada cristão realiza a caminho da vida eterna com Deus. Ela nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo tão passageiro, tão transitório, que se gasta tão rápido. Ela nos mostra que a nossa pátria não é neste mundo mas na eternidade, que aqui nós vivemos apenas em um rápido exílio em demanda da casa do Pai.

A Missa do domingo de Ramos traz a narrativa de São Lucas sobre a paixão de Jesus: sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os mau tratos nas mãos do soldados na casa de Anãs, Caifás; seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, sua condenação, o povo a vociferar "crucifica-o, crucifica-o"; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, seu diálogo com o bom ladrão, sua morte e sepultura.
A entrada "solene" de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que o homenageou motivada por seus milagres, agora lhe vira as costas e muitos pedem a sua morte. Jesus que conhecia o coração dos homens não estava iludido. Quanta falsidade nas atitudes de certas pessoas!

Quantas lições nos deixam esse domingo de Ramos!

O Mestre nos ensina com fatos e exemplos que o seu Reino de fato não é deste mundo. Que ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas veio para derrubar um inimigo muito pior e invisível, o pecado. E para isso é preciso se imolar; aceitar a Paixão, passar pela morte para destruir a morte; perder a vida para ganhá-la.

A muitos ele decepcionou; pensavam que ele fosse escorraçar Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel; mas ele vem montado em um jumentinho frágil e pobre. Que Messias é este? Que libertador é este? É um farsante! É um enganador, merece a cruz por nos ter iludido. Talvez Judas tenha sido o grande decepcionado.

O domingo de Ramos ensina-nos que a luta de Cristo e da Igreja, e consequentemente a nossa também, é a luta contra o pecado, a desobediência à Lei sagrada de Deus que hoje é calcada aos pés até mesmo por muitos cristãos que preferem viver um cristianismo "light", adaptado aos seus gostos e interesses e segundo as suas conveniências. Impera como disse Bento XVI, a ditadura do relativismo.

O domingo de Ramos nos ensina que seguir o Cristo é renunciar a nós mesmos, morrer na terra como o grão de trigo para poder dar fruto, enfrentar os dissabores e ofensas por causa do Evangelho do Senhor. Ele nos arranca das comodidades, das facilidades, para nos colocar diante Daquele que veio ao mundo para salvar este mundo.

Prof Felipe Aquino

Fonte: http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=88&scat=105&id=3199 

O Triduo Pascal



As missas da Semana Santa
Do domingo à quinta-feira de manhã da semana santa há missas especiais que celebram o mistério litúrgico e preparam para o grande tríduo pascal, principal momento litúrgico do ano.

Missa do Domingo de Ramos
Destacamos a missa do Domingo (realizada já no sábado ao fim do dia e no decorrer de todo o domingo) que é a tradicional Missa de Ramos, ou Missa do Domingo da Paixão do Senhor. Com ela chegamos a Jerusalém e assim, encerramos a Quaresma. Por meio dela celebramos estes dois mistérios da vida do Senhor: a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e a  Paixão do Senhor. A missa em seu rito normal é celebrada em dois momentos, dividido por meio de uma procissão, ou peregrinação.

Em sua primeira parte celebramos o rito da entrada triunfal, seu mistério. Em seguida vamos em procissão para a Igreja ou local onde ocorrerá a missa principal, e ali, já não celebramos mais o mistério anterior, passamos a celebrar durante a liturgia da Palavra: o mistério da Paixão e Morte de Cristo. Terminada a Liturgia da Palavra segue os ritos da missa celebrando todo este rico mistério .

Missas da Segunda a Quarta-feira santa
Nestas missas através da Liturgia da Palavra se vai aproximando do mistério, se medita e aprofunda os eventos que antecederam a Paixão do Senhor.

Na segunda-feira santa, seis dias antes da páscoa, refletimos sobre o perfume derramado aos pés de Jesus em Betânia, evento ocorrido neste período.

Na terça-feira e na quarta-feira santa, refletimos sobre Judas que sai da companhia do Senhor e apóstolos para acertar a traição de  Jesus.

Na quarta-feira santa, refletimos sobre os momentos imediatamente anteriores à Paixão. A preparação da ceia, e a preparação da traição.

A Missa dos Santos Óleos Esta missa da semana Santa é realizada na manhã da quinta-feira santa, não faz parte do Tríduo santo e é realizada em memória da instituição do novo sacerdócio, sendo celebrada como missa da unidade de todo o clero e seu pastor o bispo. Nesta missa participam todos os sacerdotes, diáconos e bispos auxiliares da diocese, e ali juntos ao seu bispo renovam seus votos. Nesta missa também são abençoados/consagrados pelo bispo os santos óleos que serão utilizados no batismo, na crisma, unção dos enfermos e ordenação.

O TRÍDUO PASCAL 

Breve explicação sobre o Tríduo Pascal
  Até o fim do século III a páscoa foi a única festa anual da Igreja, O desenvolvimento da celebração anual da páscoa acontece a partir da Vigília pascal, que celebra a morte e a ressurreição, ou melhor, a passagem da morte para a vida de ressurreição.

  O Tríduo pascal é a realidade da Páscoa do Senhor, celebrada solenemente em três grandes dias especiais: a sexta-feira santa, sábado santo e Domingo de Páscoa; Porém vale entender algo importante, o tríduo em si, começa na quinta à noite (liturgicamente já são as I vésperas da sexta), e segue até o sábado à noite na vigília do domingo ( que liturgicamente já são as I Vésperas do domingo). Diremos assim que as três grandes celebrações do Tríduo são a Missa do Lava-pés,  a Celebração da morte do Senhor e a Solene Vigília Pascal.

Cada dia do Tríduo lembra o outro, abre-se sobre o outro, assim como a idéia da ressurreição supõe a da morte. Todo o Tríduo pascal converge para a celebração da vigília na noite santa do sábado. O Tríduo pascal da paixão e da ressurreição do Senhor, inicia-se com a Missa na Ceia do Senhor, tem seu ponto alto na Vigília Pascal e termina com as vésperas do Domingo de Ressurreição.

   Não podemos entrar no espírito das celebrações destes dias, no mistério profundo da Páscoa, se nos atemos somente a aspectos parciais das celebrações, dados históricos e, até mesmo ao aspecto devocional por cada um dos momentos da vida do Senhor. Para entrar no verdadeiro mistério da Páscoa, necessitamos unicamente da graça do Espírito Santo, que nos fará colher em nossos corações a unidade e a totalidade deste mistério.

A MISSA DO LAVA-PÉS E DA SANTA CEIA


     A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no mistério da Paixão de Cristo, já que quem deseja segui-lo deve sentar-se à sua mesa e, com o máximo recolhimento, ser espectador de tudo o que aconteceu na noite em que iam entregá-lo.

     E por outro lado, o mesmo Senhor Jesus nos dá um testemunho idôneo da vocação ao serviço do mundo e da Igreja que temos todos os fiéis quando decide lavar os pés dos seus discípulos.

     Neste sentido, o Evangelho de São João apresenta a Jesus 'sabendo que o Pai pôs tudo em suas mãos, que vinha de Deus e a Deus retornava', mas que, ante cada homem, sente tal amor que, igual como fez com os discípulos, se ajoelha e lava os seus pés, como gesto inquietante de uma acolhida inalcançável.

     São Paulo completa a representação lembrando a todas as comunidades cristãs o que ele mesmo recebeu: que aquela memorável noite a entrega de Cristo chegou a fazer-se sacramento permanente em um pão e em um vinho que convertem em alimento seu Corpo e seu Sangue para todos os que queiram recordá-lo e esperar sua vinda no final dos tempos, ficando assim instituída a Eucaristia.

     A Santa Missa é então a celebração da Ceia do Senhor na qual Jesus, um dia como hoje, na véspera da sua paixão, "enquanto ceava com seus discípulos tomou pão..." (Mt 26, 26).

     Ele quis que, como em sua última Ceia, seus discípulos se reunissem e se recordassem dEle abençoando o pão e o vinho: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).

     Antes de ser entregue, Cristo se entrega como alimento. Entretanto, nesta Ceia, o Senhor Jesus celebra sua morte: o que fez, o fez como anúncio profético e oferecimento antecipado e real da sua morte antes da sua Paixão. Por isso "quando comemos deste pão y bebemos deste cálice, proclamamos a morte do Senhor até que ele volte" (1Cor 11, 26).

     Assim podemos afirmar que a Eucaristia é o memorial não tanto da Última Ceia, e sim da Morte de Cristo que é Senhor, e "Senhor da Morte", isto é, o Ressuscitado cujo regresso esperamos de acordo com a promessa que Ele mesmo fez ao despedir-se: "Um pouco de tempo e já não me vereis, mais um pouco de tempo ainda e me vereis" (Jo 16, 16).

     Como diz o prefácio deste dia: "Cristo verdadeiro e único sacerdote, se ofereceu como vítima de salvação e nos mandou perpetuar esta oferenda em sua comemoração". Porém esta Eucaristia deve ser celebrada com características próprias: como Missa "na Ceia do Senhor".

     Nesta Missa, de maneira diferente de todas as demais Eucaristias, não celebramos "diretamente" nem a morte nem a ressurreição de Cristo. Não nos adiantamos à Sexta-feira Santa nem à noite de Páscoa.

     Hoje celebramos a alegria de saber que esta morte do Senhor, que não terminou no fracasso mas no êxito, teve um por quê e um para quê: foi uma "entrega", um "dar-se", foi "por algo"ou melhor dizendo, "por alguém" e nada menos que por "nós e por nossa salvação" (Credo). "Ninguém a tira de mim, (Jesus se refere à sua vida) mas eu a dou livremente. Tenho poder de entregá-la e poder de retomá-la." (Jo 10, 18), e hoje nos diz que foi para "remissão dos pecados" (Mt 26, 28c).

     Por isso esta Eucaristia deve ser celebrada o mais solenemente possível, porém, nos cantos, na mensagem, nos símbolos, não deve ser nem tão festiva nem tão jubilosamente explosiva como a Noite de Páscoa, noite em que celebramos o desfecho glorioso desta entrega, sem a qual tivesse sido inútil; tivesse sido apenas a entrega de alguém mais que morre pelos pobres e não os liberta. Porém não está repleta da solene e contrita tristeza da Sexta-feira Santa, porque o que nos interessa "sublinhar" neste momento, é que "o Pai entregou o Seu Filho para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"(Jo 3, 16) e que o Filho entregou-se voluntariamente a nós apesar de que fosse através da morte em uma cruz ignominiosa.

     Hoje há alegria e a Igreja rompe a austeridade quaresmal cantando o "glória": é a alegria de quem se sabe amado por Deus; porém ao mesmo tempo é sóbria e dolorida, porque conhecemos o preço que Cristo pagou por nós.

     Poderíamos dizer que a alegria é por nós e a dor por Ele. Entretanto predomina o gozo porque no amor nunca podemos falar estritamente de tristeza, porque aquele que dá e se entrega com amor e por amor, o faz com alegria e para dar alegria.

     Podemos dizer que hoje celebramos com a liturgia (1a. Leitura) a Páscoa. Porém a da Noite do Êxodo (Ex 12) e não a da chegada à Terra Prometida (Js 5, 10-ss).

     Hoje inicia a festa da "crise pascal", isto é, da luta entre a morte e a vida, já que a vida nunca foi absorvida pela morte mas sim combatida por ela.

     A noite do sábado de Glória é o canto à vitória, porém, tingida de sangue, e hoje é o hino à luta, mas de quem vence, porque sua arma é o amor.

   Nesta missa, celebramos de modo especial a santa ceia de Cristo, ocorrida logo antes de sua agonia e prisão. Nesta ceia foi instituída da Eucaristia, do novo Sacerdócio de Cristo e do Novo Mandamento "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".

É bem tradicional que durante o glória, que hoje voltou a ser cantado, após toda a quaresma, se tocam os sinos existentes na Igreja. Após o Evangelho, e seguindo o que foi proclamado ali, ocorre a cena do lava-pés, aqui o   sacerdote a exemplo de Cristo lava os pés de suas ovelhas, em atitude de serviço e amor.

Seguindo os ritos de modo solene, já não se tocará mais os sinos. E a presença do Santíssimo Sacramento que ocorre durante a consagração das espécies passa a ser acompanhada de matraca.

As reservas eucarísticas ao final do rito de comunhão são guardados para a celebração da sexta-feira, quando não ocorrerá missa, e em vez de se despedir o povo no final, os fiéis seguem com o sacerdote em procissão até a capela onde serão guardados o Santíssimo Sacramento. Os fiéis permanecerão, revezando-se, até meia noite em adoração ao santíssimo, velando pelo Senhor que nesta noite sofria extrema agonia. Em algumas igrejas esta adoração é realizada até o outro dia pela manhã, embora não seja o mais adequado.

Na noite deste dia não se deve haver festas ou celebrações festivas. Mas clima de piedade e recolhimento.

Vamos entrar um pouco no sentido do que falamos:
Como já dissemos, o Tríduo Pascal inicia-se com a missa IN CENA DOMINI (na Ceia do Senhor), esta celebração faz memória da ultima ceia, onde Jesus institui a Eucaristia, o sacerdócio e nos da um novo mandamento: o Amor. Este dia apresenta-nos o momento sacramental do mistério, ou seja, por ele a presença do Senhor acontece e se perpetua através dos tempos. Tudo o que vamos viver nos dias do tríduo a Quinta Santa, nos transmite em sua dimensão ritual. A Instrução Geral do Missal Romano diz: “Na ultima ceia, Cristo instituiu o sacrifício e o banquete Pascal, por meio do qual se tornou continuamente presente na Igreja, no momento em que o Sacerdote, age na pessoa de Cristo, realiza aquilo que o próprio Senhor fez e confiou pra que aos seus discípulos, para que o fizessem em sua memória.

  A Liturgia da Palavra deste dia nos apresenta leituras que nos falam do rito pascal do Antigo e do Novo Testamento, tendo no centro a ceia celebrada por Jesus com os apóstolos, que funciona como dobradiça entre a páscoa ritual hebraica e a cristã. Nesse contexto acontece o rito do lavapés, que nos ajuda a compreender melhor o grande e fundamental mandamento da caridade fraterna.

  As orações deste dia sublinham o caráter nupcial e sacrifical do banquete da Eucaristia; o seu memorial do sacrifício do Senhor e pede para que possamos atingir a plenitude da caridade. Toda esta celebração deve ser calcada num tom de alegria, pois, o Senhor estava alegre: “Desejei ardentemente comer com vocês esta ceia pascal, antes de sofrer” (Cf. Lc 22, 15).

  Ao terminar a missa as sagradas espécies são recolhidas e conduzidas solenemente para um lugar preparado, a fim de serem adoradas e conservadas para a comunhão na Sexta-feira Santa. Esta noite é consagrada a lembrança da Eucaristia, a Igreja, com sinal da adoração quer sublinhar esse aspecto derivado e dependente da missa: a presença do Senhor nas espécies eucarísticas. A adoração termina antes da meia-noite, para respeitar o significado da celebração própria destes dias. Nesta hora, substitui-se a lembrança da Eucaristia pela recordação da traição, prisão, da paixão e da morte de Cristo.

 A SEXTA-FEIRA SANTA, “PAIXÃO DO SENHOR”.

  Quando falamos de Sexta-feira Santa, o que vem a nossa mente? Sofrimento, dor, tristeza, luto... A sexta feira da “Paixão do Senhor”, não deve ser considerada como um dia de pranto, mas de amorosa contemplação do sacrifício cruento de Jesus, fonte da nossa salvação. Neste dia, a Igreja não faz nenhum funeral, mas celebra a morte vitoriosa do Senhor.

  Segundo antiqüíssima tradição da igreja, neste dia a Igreja não celebra a Eucaristia; o alimento fundamental e universal da liturgia deste dia é a liturgia da Palavra. O ato litúrgico deve ser celebrado às três horas da tarde, a hora da morte de Jesus.

  Antes de mergulharmos no rito vamos mergulhar um pouco na espiritualidade deste dia. Hoje celebramos o Filho de Deus “que toma sobre si as nossas dores” . O Abaixamento do Senhor até a Morte e morte de cruz, Deus se fez homem e sofre, levando sobre si o nosso pecado. Neste dia é comum celebrar em nossa Comunidade, a Via Sacra e através da meditação podemos perceber o caminho que Jesus tomou. Quando contemplamos que o Senhor cai no caminho da cruz, meditamos que ele se abaixa até nos e nos ergue em nossas quedas. A cruz de Jesus é para nós neste dia, o sinal da nossa salvação. Não haverá a ressurreição se antes não se passar pela cruz, que o Senhor nos convida a tomar para segui-Lo (Cf. Mc 8,34).

  O Rito da Sexta-feira Santa é composto de três partes:

Liturgia da Palavra – Adoração da Cruz – Comunhão

LITURGIA DA PALAVRA 

  Esta primeira parte do rito conserva uma antiqüíssima forma de se ouvir e meditar a palavra. Depois da prostração e de uma breve oração, procede-se imediatamente às leituras. É muito importante que seja conservado o silencio sagrado, a fim de que tudo possa convergir para a palavra.

  Após breve homilia, tem inicio a solene oração dos fieis, para as intenções da Igreja e do mundo. A Igreja que tem como chefe Cristo, sumo e único sacerdote, em nome e por meio do seu chefe, apresenta ao Pai, as suas grandes intenções. Neste momento toda a família da Igreja é levada aos pés da Cruz, na qual Cristo morre por todos. A assembléia iluminada pela palavra de Deus, abre-se a caridade, orando: 1) pela santa Igreja; 2) pelo papa; 3) por todas as ordens sacras e por todos os fieis; 4) pelos catecúmenos; 5) pela unidade dos cristãos; 6) pelos judeus; 7) pelos não cristãos; 8) por aqueles que não crêem em Deus; 9) pelos governantes; 10) pelos atribulados. A oração dos fieis conclui a Liturgia da Palavra.

A ADORAÇÃO DA CRUZ  

  Neste momento iniciaria a liturgia eucarística, mas na Sexta-feira a Igreja não celebra a ceia do Senhor, pois, está concentrada no seu sacrifício cruento por este motivo fazemos a adoração da cruz. O Rito nasce como conseqüente ao ato da proclamação da paixão de Cristo. A Igreja ergue o sinal da vitória do Senhor, como que para concretizar a palavra que diz: “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Cf. Jo 112, 32). Neste dia a Igreja faz um hino de louvor e glorificação a Cruz. A liturgia deste momento já celebra Jesus Cristo vencedor da morte. A Igreja concede indulgências àqueles que neste dia honrarem a cruz exposta nas Igrejas com o ósculo santo . 

A COMUNHÃO 

  São trazidas para o altar, as espécies eucarísticas, o Celebrante convida a todos para a oração do Pai Nosso e após a mesma distribui a comunhão (lembremos que as partículas foram consagradas no dia anterior). O solene ato litúrgico, acaba com uma oração e uma bênção sobre o povo.

O JEJUM PASCAL

  Como sinal exterior de participação no sacrifício pascal de Cristo, “para que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (Cf. II Cor 4,11), e como sinal de que “chegaram os dias em que o noivo foi retirado” (Cf. Lc 5, 33ss), a Sexta-feira Santa é dia de Jejum. O Jejum Pascal não é um elemento secundário, mas uma parte integrante do Tríduo.

O SÁBADO SANTO

  O Missal romano apresenta o sábado da seguinte maneira: neste dia, “a Igreja fica parada junto ao sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, abstendo-se da celebração da Eucaristia (A mesa fica sem ornamentos) até a vigília ou expectativa noturna da ressurreição. Neste dia a Igreja convida os fieis ao silencio e a meditação. O mistério de Cristo no sepulcro, torna-se convite para meditar no mistério de Cristo escondido no mistério do Pai. Vamos neste dia estar junto com as mulheres as portas do sepulcro (Cf. Mt 27,61). Todo fiel é chamado a contemplação, nutrindo no coração a esperança. Este sábado é um convite para “retirar-se para o deserto” afim de escutar o Senhor por meio da oração silenciosa.

  Hoje o olhar da igreja se volta para a Virgem Maria, com ela a alegria de viver e a coragem de esperar são reencontradas.

A ESPIRITUALIDADE DA VIGÍLIA PASCAL E DO DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

“Esta é a noite em que Jesus rompeu o inferno, ao ressurgir da morte vencedor”.Preconio pascal

  Lancemos um olhar sobre a noite do Sábado Santo. No Credo professamos a respeito do caminho de Cristo: “desceu a mansão dos mortos”.  Não conhecemos o mundo da morte e podemos representá-lo com imagens que são insuficientes. Mesmo assim elas nos ajudam a entender algo do mistério.

     A liturgia aplica a decida de Jesus na noite da morte as palavras do Salmo 24 (23): “Levantai, ó portas, os vossos dintéis, levantai-vos ó pórticos eternos!” A porta da morte está fechada e ninguém pode voltar dali para trás. Para esta porta não há chave. Cristo, porem, possui a chave, a sua Cruz abre de par em par as portas da morte. Elas agora já não são intransponíveis. A sua Cruz, a radicalidade do seu amor é a chave que abre esta porta.

      O amor de um Deus que se fez homem, pobre e vulnerável para poder morrer, só este amor tem a força para abrir esta porta e transpor todas as outras assim como fez o Ressuscitado quando apareceu aos discípulos (Jo 20, 19ss). Este amor é mais forte do que a morte e nada pode apagá-lo. Ele pode tudo mudar, mesmo as situações de morte, pode fazer passar da Morte para a Vida; do Homem Velho com seus vícios e pecados, para o Homem Novo que confia em Deus e faz dele o seu Senhor.

 Os ícones pascais podem nos ajudar a entender melhor o que acontece nesta noite: Cristo entra no mundo dos mortos cheio de luz, porque Deus é luz. Ele traz consigo suas chagas gloriosas, aquelas que antes o desfiguraram e o deixaram até mesmo sem aspecto humano 8, são agora poder de Deus, o Amor que vence a Morte.

     Ele encontra Adão e todos os outros que esperam na noite da morte. Na sua encarnação o Filho de Deus se tornou uma só coisa com o ser Humano, Adão9, porem só neste momento se cumpre o extremo ato de amor, descendo na noite da morte, Ele cumpre o caminho da encarnação. É pela sua morte, que Ele toma Adão, caído pelo peso do pecado, pela mão e leva todos os homens em expectativa para a luz. Jesus aqui restabelece a união do homem com Deus10. Também nós nesta noite saímos de nossas mortes pessoais, tomados pela mão de Jesus, somos ressuscitados com Ele.

 Poucas celebrações litúrgicas são tão ricas de conteúdo e de simbolismo como a vigília Pascal, ela é o coração de todo o ano litúrgico e dela se irradiam todas as outras celebrações, nesta noite Santa a Igreja celebra de modo sacramental mais pleno, a obra da redenção e da perfeita glorificação de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, tornado para nós um novo Adão, ao pagar nossa culpa se entregando a Morte e morte de Cruz.

 Para compreendermos melhor o significado e valor desta Vigília, devemos mergulhar na antiqüíssima tradição da igreja que nos recorda: “Esta é a noite de vigília em honra do Senhor (Ex 12,42). Nesta noite os fieis trazem consigo suas lâmpadas acesas assemelhando-se àqueles que esperam o Senhor no seu retorno, de maneira que quando Ele chegar os encontre ainda vigilantes e os faça sentar á sua mesa (Lc 12,35ss).

  A Solene Vigília Pascal, tem origem na primeira páscoa, a noite em que do Egito o Senhor retirou os filhos de Israel, transpondo o mar vermelho a pé enxuto rumo, à terra onde corre leite e mel. Durante esta vigília os israelitas celebrando o rito pascal, faziam memória da salvação realizada por Deus nos eventos do êxodo. “Este dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa para o Senhor; vocês celebrarão como um rito permanente de geração em geração” (Cf Ex 12,14). Esta celebração tinha o caráter de memória-presença-expectativa. Os hebreus esperavam o cumprimento das promessas de Deus de tirá-los da terra estrangeira, levá-los à terra prometida e enviar o messias.

     Na páscoa Cristã, a estrutura teológica da vigília pascal (memória-presença-expectativa) não muda, mas se enriquece com a realidade que é Cristo, o Ressuscitado que passou pela Cruz.

     A celebração cristã, é enriquecida pela certeza de que vivemos a páscoa junto com o Senhor, que nos ensina que para chegar à  ressurreição da vigília, deve-se antes passar pela morte da Sexta-feira Santa, ou seja, não há vida nova e ressuscitada sem a Cruz que o Ressuscitado nos apresenta como a chave para todas as portas e, a cura para todos os nossos males, a manifestação mais plena do poder de Deus e do Seu Amor.

 Diz o precônio pascal: “Esta é a noite em que Jesus rompeu o inferno, ao ressurgir da morte vencedor.” De fato esta é a grande noite, nela somos feitos livres de todo o pecado que nos trouxe a morte, graças a um tão grande Redentor, que em si mesmo destruiu o pecado e rompeu o inferno. Nesta noite a coluna luminosa dissipa toda a treva e, congrega um povo novo, fruto da obra do Ressuscitado que passou pela Cruz. Por isso Santo Agostinho já dizia: “esta é a mãe de todas as vigílias!”

 Como já dissemos antes, a celebração desta vigília é repleta de símbolos que necessitam ser compreendidos se queremos celebrar bem esta noite Santa. É exatamente isso que iremos discorrer nesta segunda parte.

DESENVOLVIMENTO DA VIGÍLIA PASCAL:

     Toda a celebração da Vigília Pascal desenvolve-se a noite, esta deve começar pouco depois do inicio da noite e terminar antes do nascer do sol. Desde o inicio, a Igreja celebra a Páscoa anual, solenidade das solenidades com uma vigília noturna.

     A ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa Fé, por meio do Batismo e da Crisma, fomos inseridos no mistério pascal de Cristo. A celebração do mistério desenvolve-se do seguinte modo: após o “lucernário11” e o “precônio12” (I parte da vigília), a Santa Igreja medita “as maravilhas” que o Senhor fez para o seu povo desde o inicio (II parte ou liturgia da palavra), até o momento em que com seus membros13 regenerados no batismo (III parte da vigília), é convidada à mesa que o Senhor preparou para o seu povo, memorial de sua morte e ressurreição, em expectativa para sua vinda gloriosa (IV parte da vigília). Este esquema não pode ser alterado.

I Parte – Solene Inicio da Vigília ou Lucernário

     A primeira parte da vigília celebra a luz, Cristo, de um modo particular com a sua ressurreição é a luz do mundo (Jo 1, 9). Cada um de nós que tomamos parte nos sacramentos somos constituídos “luz do Senhor” (Ef 5,8). Este rito inicial compreende: a bênção do fogo, preparação do círio, procissão e anuncio pascal.

     Antes de benzer o fogo o sacerdote saúda o povo, explicando brevemente o significado da vigília: se trata de reviver a páscoa do Senhor, na escuta da palavra e na participação aos sacramentos: e Cristo Ressuscitado confirmará a esperança de participar em sua vitória e de viver em Deus com Ele.

     Após esta admoestação o sacerdote benze o fogo novo, esta bênção significa o desejo de que as festas pascais ascendam em nós o desejo do céu, renovem o nosso espírito e nos guiem para a vida eterna. O círio pascal é aceso14. Depois de aceso o círio é conduzido solenemente até o altar, por um diácono ou pelo sacerdote celebrante, seguido em procissão pelo povo. Até este momento o templo deve permanecer escuro, apenas a luz do círio deve brilhar em meio as trevas, assim como Cristo Ressuscitado brilha.

     Nesta luz são acesas as velas do povo, enquanto se canta três vezes sucessivas: “Eis a luz e Cristo.”e o povo responde: “Demos graças a Deus”. O círio é colocado perto do ambão e o diácono então proclama solenemente a páscoa com o precônio pascal, com esta oração de ação de graças é proclamada a Páscoa, nela louvamos a Deus pela Ressurreição do Seu Filho e pela vida nova que Ele nos concedeu, lembrando de todos os feitos realizados por Ele desde o êxodo do Egito até os dias atuais.

II Parte – Liturgia da Palavra

     Depois da bênção do fogo, a Igreja medita nas maravilhas que Deus realizou em favor de seu povo confiando em sua palavra e suas promessas. Nesta noite, cumprem-se em Jesus Cristo morto e Ressuscitado as grandes obras de Deus, anunciadas no Antigo testamento.

     O símbolo do círio dá lugar à realidade de Cristo, presente em sua palavra. A Igreja, começando por Moises e todos os profetas, interpreta o mistério pascal de Cristo. Para esta celebração são propostas nove leituras (sete do Antigo Testamento e duas do novo, sendo uma das Cartas de São Paulo e outra do Evangelho). Terminadas as leituras do Antigo Testamento, canta-se solenemente o Gloria e pronuncia-se a oração coleta15. Após esta oração lêem-se as leituras do Novo testamento, em sinal da passagem do Velho para o Novo, da Morte a Vida em Jesus Cristo.

     Neste dia voltamos a cantar o Aleluia, que é entoado solenemente pelo sacerdote presidente. Após a proclamação do Evangelho, o presidente da celebração faz a homilia.

III Parte – Liturgia Batismal

     Segundo uma antiqüíssima tradição, nesta noite os catecúmenos16 recebiam após uma intensa preparação o Sacramento do Batismo e eram de fato admitidos a fé da Igreja. O batismo nos torna um com Cristo, nos insere em seu corpo, pela graça deste sacramento somos sepultados e ressuscitamos com o Senhor.

     O rito desenvolve-se da seguinte forma: canto da ladainha de todos os santos (onde se pede a intervenção do céu e se lembra a comunhão dos santos que estamos inseridos pela graça batismal), bênção da água batismal (a água nos lembra a morte para o pecado e a vida nova em Cristo). Apos esta bênção, administra-se o Batismo e a assembléia renova as suas promessas batismais, depois todo o povo é aspergido com água para lembrar o batismo que todos receberam.

IV Parte – Liturgia Eucarística

     Este é o ápice da vigília, é de maneira plena o sacrifício da Páscoa, isto é, memorial do sacrifício da cruz e da presença do Ressuscitado, plenitude da iniciação cristã e antecipação da páscoa eterna.

     A Eucaristia é de fato o Sacramento do Ressuscitado, por ela o Senhor realiza a sua promessa de estar sempre conosco ate o fim. Pela Eucaristia rendemos a ação  graças e o sacrifício perfeito: pão da vida eterna e cálice da bênção: Jesus Cristo o Filho de Deus vivo, Ressuscitado que passou pela Cruz.

As missas que se seguem neste dia

  Com o Domingo inicia-se o Tempo Pascal, a liturgia deste dia celebra o evento da páscoa, como o “dia de Cristo Senhor”. As leituras bíblicas no decorrer deste dia solene contem o kerygma pascal e um chamado para que nos empenhemos em viver uma vida nova em Cristo. Todas as celebrações  apresentam Cristo como o verdadeiro motivo da ação de graças da igreja neste tempo de salvação. Na sua ressurreição, Cristo comunica ao mundo o seu Espírito de vida, que muda a vida do homem e, o liberta de suas escravidões e resgata o homem do pecado. Como diz o Salmo 118: “Este é o dia que o Senhor fez para nós”. Dia em que tudo é em Jesus Cristo, recriado. É o dia de nossa vida nova, onde podemos experimentar a alegria de Madalena e dizer: “Vi Cristo Ressuscitado, o túmulo abandonado, os anjos da cor do Sol, dobrado no chão o lençol” .

  A missa deste dia ocorre de forma mais solene, porem como de costume, ou seja, não são introduzidos ritos alem dos que já existem.

     O Domingo, primeiro dia da criação agora toma uma conotação maior, neste dia onde tudo é recriado pelo poder ressuscitador do Espírito de Deus, nós também o somos, assim o domingo se torna o Dia do Senhor. Este dia é o sol da semana o grande dia que celebramos a Páscoa do Senhor, que agora saiu do sepulcro e está no meio de nós, vivo.

     A morte, a dor, as guerras, o pecado não tem mais a ultima palavra apesar do mundo estar cheio disso tudo, há uma vitória que é maior que tudo isto, está acima de tudo, esta acima do céu, está no meio da terra, está nos nossos corações.  

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