A ressurreicao do Senhor

O Tempo de Páscoa

A importância capital da Páscoa da Ressurreição, a magna festa da Cristandade, a mais antiga, e centro de todas as outras, solene, majestosa é pervadida de júbilo: "Esse é o dia que o Senhor fez, seja para nós dia de alegria e felicidade".(Sl.117,24) São Paulo, Apóstolo, ressaltará o valor desse grandioso acontecimento: : "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé" (1 Cor 15,14). Na liturgia, essa alegria é prolongada pela repetição da palavra "aleluia", pelo branco dos paramentos e pelos cânticos de exultação. Com razão dizia Tertuliano: - "Somai todas as solenidades dos gentios e não chegareis aos nossos cinqüenta dias de Páscoa".

Ora, entre os acontecimentos daqueles dias, há episódios que passam muitas vezes despercebidos; porém, bem analisados, revelam em toda a sua força o poder do amor.

Oração Preparatória: Ó Imaculado e Sapiencial Coração de Maria, nós Vos oferecemos esta meditação, em reparação a todas as ofensas que recebeis pelos pecados cometidos por toda a Humanidade. E concedei-nos o dom de participar do júbilo glorioso do Vosso Imaculado Coração, inundado de inefável consolação, no momento em que foi restituído à alegria pela triunfal Ressurreição de Jesus.
Amém.

As ressurreições ao longo dos tempos.

O profeta Elias operara a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, em casa de quem vivia (1Rs 17, 17-24). Mais tarde, o mesmo faria Eliseu com o filho de uma sunamita (2Rs 4, 17-37).

O próprio Salvador, tomado de pena ao encontrar o cadáver da filha de Jairo, ordenou às mulheres que não mais chorassem, pois a menina apenas dormia. Jesus conservou consigo somente os pais e três apóstolos e, tomando-a pela mão, disse-lhe: "Menina, eu te ordeno, levanta-te!". Ela se pôs de pé cheia de vida e de alegria. Maravilhados com o prodígio, os pais nem se deram conta de que a jovenzinha precisava se alimentar, e o próprio Mestre teve de lhes lembrar isto. (Mc 5, 35-43).

A compaixão de Jesus pelos sofrimentos humanos se manifestou novamente ao deparar Ele com um enterro, na cidade de Naim. Todos caminhavam consternados em extremo, pois falecera o filho de uma viúva, seu único sustento. O féretro encontrava-se cercado por gente desfeita em pranto. As misericordiosas entranhas de Nosso Senhor se comoveram: "Não chores", diz Ele à pobre mãe. E, colocando sua onipotência divina a serviço de sua bondade infinita, diz: "Moço, eu te ordeno, levanta-te!" Obedecendo à solene voz do Criador, começou a falar aquele que havia pouco ainda era defunto. Jesus tomou-o pela mão e o entregou a sua mãe (Lc 7, 11-16 ).

I - Os sentimentos fortes e harmônicos do Coração de Jesus

A mais impressionante de todas as ressurreições operadas por Jesus foi, sem dúvida, a de Lázaro. Maria, irmã do morto, advertiu o Mestre de que o cadáver já estava em decomposição, pois recebera o ósculo da morte quatro dias antes. Entretanto, apesar de saber Jesus que o milagre a ser efetuado aguçaria a inveja dos fariseus e, assim, apressaria sua própria morte, Ele ansiava ardentemente cumprir os desígnios do Pai. No Sagrado Coração de Jesus encontram-se, então, dois fortes sentimentos harmônicos: a compaixão por seu amigo Lázaro e pelas irmãs dele, e a pressa em realizar a finalidade de sua Encarnação.

Manda que se remova a lápide da entrada do túmulo. Um repugnante odor se espalha entre os presentes. Uma voz possante e onipotente ordena: "Lázaro, vém para fora!" À boca do túmulo cavado na pedra, um cadáver revivescido apresenta-se com dificuldade, com vendas por todo o corpo. Uma nova determinação; diz Nosso Senhor: "Desatai-o e deixai-o ir", com divina serenidade. Era a mesma voz à qual os ventos e os mares obedeciam ... (Jo 11, 38-44).

Ao longo da Era cristã haverá outras ressurreições: São Pedro fará retornar à vida Tabita (At 9, 36-46); São Paulo, com um abraço, reerguerá da morte o jovem Êutico (At.20,9-12); São Bento devolverá com saúde, a um camponês, o filho, cujo corpo inerte havia sido posto à porta do mosteiro.

Contudo, se numerosas foram as ressurreições ao longo dos tempos, no que a Ressurreição de Cristo se distingue das demais ? (1)

II - A maior prova da divindade.

"Tenho o poder para entregar a minha vida, bem como para a reassumir" (Jo 10,18)

Nunca ninguém profetizou seu próprio retorno à vida terrena. Menos ainda, aconteceu de alguém operar por seu próprio poder esse milagre tão acima da natureza criada. Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou, porque não era apenas homem, mas também Deus.

A morte de Cristo consistiu na separação da alma e do corpo, como na morte dos outros seres humanos. Mas a divindade estava de tal modo ligada ao homem Cristo, que, apesar da alma e do corpo terem se separado, a própria divindade sempre esteve unida ao corpo e à alma de um modo perfeitíssimo. É necessário, pois, que creiamos não apenas que Ele se fez homem e que morreu para nossa Redenção, bem como que ressurgiu dos mortos.

São Tomás de Aquino completa: ...e a divindade do Verbo jamais se separou nem da sua alma, nem do seu corpo. Por isso, o corpo reassumia a alma e o corpo, quando queria!

Quando professamos a nossa fé, rezando no Credo, ressuscitou ... e não, foi ressuscitado, como se o fosse por outro, é porque Jesus Cristo por sua própria força entregou a alma, reassumindo-a também, por força própria! Então, podemos ler nos Salmo 3, 6...."adormeci, e estive sepultado no sono e levantei-me".

Outra diferença ainda entre a Ressurreição de Cristo e a dos outros, é devido ao tipo de vida para a qual o morto ressuscitou. Quando Lázaro, por exemplo, foi ressuscitado, retornou para a mesma vida de antes - vida terrena e corruptível -,ao passo que Cristo ressuscitou para vida gloriosa e incorruptível. (2)

Ao contemplarmos com júbilo o triunfo de Jesus Cristo ressuscitado, juntemo-nos à Nossa Senhora, aos Apóstolos, aos Anjos,com toda a Igreja transbordando de alegria Pascal...

Oração: Ó Senhor Jesus que na verdade ressuscitastes; é certíssimo que sois o Deus todo-poderoso, pois um homem morto não pode ressuscitar-se; e que só Deus, que dispõe da vida e da morte, é capaz de semelhante prodígio. Vossa Ressurreição gloriosa garante a nossa fé, porque se Jesus é Deus, divina é a Sua Religião, divino é o Evangelho, divina é a Igreja que fundou sobre a rocha de São Pedro. Seguindo a luz de minha fé, guia infalível, fazendo os sacrifícios que ela me pede, sei que é nada disso em vão, porque "Jesus Cristo, minha esperança, ressuscitou! Aleluia!"(3)

Ó Coração de Maria, restituído à alegria pela Ressurreição de Jesus! Rogai por nós !

por Monsenhor João Clá Dias, EP

Referências:
(1) Revista Arautos do Evangelho - Mons. João Clá Dias, nº 4 - abril 2002 págs. 13-17
(2) Exposição sobre o Credo - Santo Tomás de Aquino- Ed. Loyola, 2a.edição, págs.54-55
(3) Meditações - M.Hamon , Lello & Irmãos Editores- Porto, Tomo II, págs. 250-251


 Fonte: http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=5549

One Response so far.

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